Crítica | Streaming

Esticando a Festa

Sem enganar ninguém

(Afterlife of the Party, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Stephen Herek
  • Roteiro: Carrie Freedle
  • Elenco: Victoria Justice, Midori Francis, Robyn Scott, Adam Garcia, Spencer Sutherland, Timothy Renouf, Gloria Garcia, Kiroshan Naidoo
  • Duração: 109 minutos

Cassie e Lisa são melhores amigas desde a infância e não poderiam ser mais diferentes. A primeira é promoter de festas baladeira e só quer saber de se divertir, enquanto a segunda é uma tímida paleontóloga que prefere ficar em casa fazendo quebra-cabeças. Embora só funcione por causa da dupla, Esticando a Festa não é exatamente sobre as duas. O enredo do filme é para lá de batido: alguém morre, mas tem um tempo para ajeitar os problemas que deixou para trás e assim saber se vai subir ou descer. Aquela coisa cristã de céu e inferno.

Aqui, quem morre é Cassie, a festeira, depois de uma briga com a melhor amiga, uma zoada no pai professor de yoga com um instagram recém-criado e uma mãe até então não conhecida. O roteiro, de Carrie Freedle, não poderia ser mais banal e previsível. Não há nenhum acontecimento que surpreenda genuinamente. Tem o anjo que vai explicar o que está acontecendo, aquele que pode ver (além dos animais e crianças, claro) e fica falando com o ar e a listinha, entre outras coisas.

Esticando a Festa
© Graham Bartholomew/Netflix

A direção é de Stephen Herek, que até se vira com o pouco dinheiro que tem, já que notoriamente a produção é bem modesta. Ainda que não consiga ter um controle muito grande de set e nem alcançar algo realmente cinematográfico, ele consegue fazer o básico e levar o espectador menos exigente até o final bonitinho. Além dele, o elenco, encabeçado por Victoria Justice e Midori Francis, com a participação especial de Robyn Scott como a anjo guia, se esforça para tornar o filme mais envolvente, e até parece que se diverte fazendo, mas o roteiro não ajuda.

Apoie o Cenas

Esticando a Festa, acaba se perdendo em obviedades, facilidades e repetições. As conversas explicativas com Val, a anja guia, e o retorno constante a Lisa, com conversas que quase sempre levavam a lugar algum, ou ao mesmo lugar, são cansativas, e as aproximações dos pais não são nada críveis. Já que é um filme que recorre tanto a quebra-cabeças, é como se as peças estivessem sempre encaixadas nos lugares errados, como se os eventos não fizessem sentido e aquilo que é dito não coubesse naqueles espaços.

Esticando a Festa
© Graham Bartholomew/Netflix

Porém, é um longa que cumpre exatamente o que promete. Cassi e Lisa, quase sempre em cena juntas, não são apenas o foco principal de Esticando a Festa, mas aquelas que fazem com que ele funcione, afinal de contas, uma delas só existe realmente para o mundo terreno se a outra estiver presente. E funcionam bem, apesar dos diálogos rasos e repetitivos. No final das contas, muito além de segundas chances e de resolver seus problemas em vida ou qualquer coisa do gênero, o filme é sobre amizade.

Ele até passa a mensagem, mas vem com todos esses problemas e outros mais não ditos. Para completar tem aquela imagem de céu completamente desabitado e cheio de árvores alaranjadas como os outonos de Gercken, o que também dá uma certa preguicinha, mas tudo bem. Esticando a Festa não chega até aí enganando ninguém. Desde o começo mostrou a que veio e quem continuou assistindo sabia onde ia dar.

Um grande momento

Chegando num péssimo momento

Curta as críticas do Cenas? Apoie o site!

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo