Críticas

1917

(1917, GBR/EUA, 2019)
Guerra
Direção: Sam Mendes
Elenco: Dean-Charles Chapman, George MacKay, Daniel Mays, Colin Firth, Pip Carter, Andy Apollo, Paul Tinto, Josef Davies, Billy Postlethwaite, Andrew Scott, Mark Strong, Benedict Cumberbatch
Roteiro: Sam Mendes, Krysty Wilson-Cairns
Duração: 119 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Impossível assistir a 1917 e não ficar impressionado com tudo aquilo que se vê e se sente. O que Sam Mendes propõe e executa, é de encher os olhos e ouvidos; gruda o espectador nas cadeiras, mexe com as sensações mais primárias do ser humano. Seu filme sobre a primeira guerra é um evento, formatado de maneira complexa, pensado e ensaiado minuciosamente.

A história é a de dois soldados enviados por seu batalhão com uma missão inusitada: eles precisam cruzar a “terra de ninguém”, as trincheiras inimigas, e encontrar uma tropa aliada antes que ela inicie um ataque programado para o dia seguinte e entregar uma mensagem. A premissa é interessante e, além de toda a ansiedade da guerra, há esse embate contra o tempo sempre muito presente.

Para ressaltar a urgência, Mendes aposta na forma e simula o plano-sequência. São planos longuíssimos e toda a dinâmica de cena é pensada para que o espectador se sinta junto aos soldados Schofield e Blake, ora esperando-os, ora seguindo-os, observando os movimentos das trincheiras, caindo, subindo. George MacKay e Dean-Charles Chapman são peças importantes nesse jogo, uma vez que seguram quase sozinhos no filme, como uma espécie de companheiros de viagem.

Mas quem domina mesmo o ambiente, o tempo e o espaço é Roger Deakins. O diretor de fotografia, um dos melhores da atualidade, em seu trabalho mais impressionante, vai determinando o que, quando e para onde se deve olhar. Em um trabalho que merece todos os elogios que vem recebendo, controla todos os elementos de cena, antecipa ações e faz com que a imagem se torne o elemento principal nessa jornada em busca da reconstrução de sentimentos de guerra.

Parece que Mendes, que já foi mais atento a outras questões, até percebe o excesso estético e tenta acrescentar vieses a trama, escrita por ele e por Krysty Wilson-Cairns, baseada nas histórias contadas por seu avô. Assim surge a tentativa de lidar com o luto, na passagem do caminhão; o contato com a francesa, na cidade ocupada; ou o resgate na fazenda. Embora em todas haja lampejos de conexão, das três passagens, em apenas uma há um casamento com o filme.

1917 é como uma dessas atrações de parques temáticos projetadas para despertar sensações e emoções em seus usuários, e cumpre com êxito o seu objetivo. Porém, fracassa quando se busca por qualquer aprofundamento na mensagem.

Um Grande Momento:
A cidade e os sinalizadores.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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