Crítica | Streaming

Fora de Série

(Booksmart, EUA, 2019)
Comédia
Direção: Olivia Wilde
Elenco: Kaitlyn Dever, Beanie Feldstein, Jessica Williams, Jason Sudeikis, Lisa Kudrow, Will Forte, Victoria Ruesga, Mason Gooding, Skyler Gisondo, Diana Silvers, Molly Gordon, Billie Lourd, Eduardo Franco, Nico Hiraga, Austin Crute, Noah Galvin
Roteiro: Emily Halpern, Sarah Haskins, Susanna Fogel, Katie Silberman
Duração: 102 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Irmão afetivo e temático de Superbad – É Hoje (clássico contemporâneo dirigido por Greg Mottola e estrelado por Michael Cera, Jonah Hill e Emma Stone), Fora de Série é uma comédia magnética, a estreia da atriz e agora cineasta Olivia Wilde na direção e que está obtendo o devido reconhecimento de público e também da crítica com indicações ao Gotham, Globo de Ouro, BAFTA e Spirit Awards.

Tem uma das sinopses mais bem escritas dos últimos tempos: “Duas garotas extremamente esforçadas do ensino médio decidem compensar o tempo perdido e juntar quatro anos de diversão em uma única noite.” – e é isso mesmo, a dupla Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein, a irmã de Jonah Hill!) quer aproveitar tudo o que não viveu seja em festas, consumo de drogas ou sexo; seja em ser inconsequentes uma vez na vida, numa jornada de auto aceitação.

É um Superbad mais arguto, que fala alto ao coração, tendo amizade e aceitação no centro da história. Amy é lésbica mas não consegue chegar na garota de quem gosta; Molly tem a ilusão de que o garoto descolado gosta dela e acaba deixando de lado o colega tapado que é apaixonado por ela. Envolvendo nessa fórmula ainda os pais delas – a maravilhosa Lisa Kudrow sendo uma das partes –, um pobre panda usado como instrumento de prazer e a professora que é uma baita inspiração além de emprestar roupas pra ir na balada.

Olivia faz, a exemplo de Greta Gerwing, um afetuoso retrato da adolescência e o rito para a vida adulta quando se é mulher. Mas com muito mais humor gonzo e senso de irmandade, Beanie (que também atua em Lady Bird, de Greta) e Kaitlyn são incríveis vetores de identificação para milhares de jovens. Por serem tão reais e factíveis, suplantam o que costuma ser uma representação unidimensional em tantos filmes amados sobre o high school.

Claro que Olivia e sua equipe de roteiristas (Sarah Haskins, Susanna Fogel, Emily Halpern e Katie Silberman) não obliteram os clichês do gênero – inclusive Billie Lourd está hilária como uma neo-hippie arquetípica e rouba cenas – mas as doses de sinceridade impressas em cada diálogo e a maneira que as situações são apresentadas, sem cair no amalucado de alguns momentos dum Missão Madrinha de Casamento, por exemplo, geram uma empatia gigante.

A dupla de nerds que são amigas para a vida toda não são julgadas ou estereotipadas ou mesmo transformadas para fugir de quem são, para conseguir validação, mas abraçadas como as jovens confusas e apaixonantes que estão num processo de crescimento/descobrimento. Essa marca de um filme feito por mulheres está sacralizada no discurso nada edificante mas muito comovente de Molly no dia da formatura, onde ela lembra que todos ali são incríveis pelo que são.

Um Grande Momento:
Líder da rebelião jovem.

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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