(Isle of Dogs, ALE/EUA, 2018)
Animação
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson, Roman Coppola, Jason Schwartzman, Kunichi Nomura
Duração: 101 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

A Ilha dos Cachorros marca o retorno de Wes Anderson à animação e , assim como a primeira, O Fantástico Sr. Raposo (2009), rendeu duas indicações ao Oscar 2019, melhor animação e trilha sonora original.

O longa se passa num futuro próximo, na cidade de Megasaki, Japão. O prefeito Kobayashi, ditador e corrupto, quer eliminar todos os cães da cidade. Por conta de uma suposta epidemia de doenças transmitidas pelos cães, Kobayashi decreta o exílio e manda todos os cães para uma ilha distante, para onde é enviado também todo o lixo da cidade.

Atari Kobayashi, sobrinho do prefeito e “mestre” do cão Spots não concorda com situação e, quando seu melhor amigo é também enviado para a ilha do lixo, o garoto parte numa missão de resgate.

O longa é todo produzido em stop-motion. Cerca de 27 animadores e dez assistentes foram responsáveis pela ambientação e os movimentos de personagens. A riqueza dos detalhes impressiona, seja nas expressões dos cães, nos cenários, na pelagem dos bichos e na sincronia de suas bocas enquanto são dublados.

A maior força de Ilha dos Cachorros é a sua história e a forma como é contada. Wes Anderson possui um estilo próprio de narrativa que pode ser facilmente reconhecido. Filmes como O Grande Hotel Budapeste (2014), Moonrise Kingdown (2012) e o próprio Ilha dos Cachorros demonstram a capacidade do diretor de manter numa mesma história um viés dramático e cômico, sem que um diminua o outro.

O controle narrativo de Anderson fica ainda mais evidente em Ilha dos Cachorros, são diversas as ferramentas narrativas que o diretor usa com criatividade e eficácia. Citando um exemplo, a fala dos personagens japoneses não é traduzida, em alguns momentos uma intérprete televisiva traduz o que se passa durante a cobertura dos debates políticos, enquanto o prefeito tenta a reeleição. Com isso o público se aproxima ainda mais do entendimento que os cães estão tendo de todos os acontecimentos.

A história é dividida em quatro partes, alguns subtítulos acompanham esses e outros momentos, como “o primeiro banho de um vira-lata”, “flash-back” e “fim do flash-back”, não apenas pontuam a história mas despejam comicidade e ironia nas cenas. Outro artifício usado pelo diretor com a mesma finalidade é o uso de um personagem que, durante todo o longa, traz notícias, boatos e fofocas do mundo canino.

Na versão original um elenco de peso faz a dublagem dos personagens: Bryan Cranston, Edward Norton, Jeff Goldblum, Scarlett Johansson, Bill Murray entre outros.

Uma animação que pode ser ao mesmo tempo doce e brutal, uma fábula absolutamente enraizada nos tempos atuais. Entre bombas de wasabi, software de reconhecimento de dente e rabo e lutas hilárias onde só podemos imaginar o que acontece dentro da “nuvem de poeira” causada pelos movimentos de briga estão a intolerância em conviver com aquilo que é diferente e o discurso mais do que pertinente do garoto Kobayashi: “o que somos e o que queremos ser”.

São os diversos elementos do longa de Wes Anderson que, independentemente do resultado do Oscar, o classificam como uma da melhores animações de 2018.

Um Grande Momento:
Grupo rivais de cães brigando por comida.

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