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O Fantástico Sr. Raposo

(Fantastic Mr. Fox, GBR/EUA, 2009)

Entre os muitos cameos (detalhes muito pessoais que deixam o trabalho inconfundível) de Wes Anderson, o maior de todos são as figuras que ele gosta de retratar. Tipos estranhos que de alguma maneira acabam criando uma forte relação entre eles, com cobranças, esperanças e frustrações.

A adaptação de uma das mais famosas histórias infantis dos Estados Unidos não fugiram da marca registrada. Fica difícil dizer se o livro foi adaptado às telonas ou o cinema de Anderson se adaptou ao livro transformando-o.

Depois que descobre que vai ser pai, uma raposa maladra resolve que vai largar a vida do crime e arruma um emprego normal como colunista do jornal dos bichos. Frustrado depois de uns anos, o agora pai decide mudar-se para um lugar “menos pobre” e escolhe uma árvore na frente de três grandes fazendas: uma de frangos, outra de perus e outra de maçãs.

A tentação insuportável o leva a cometer um último crime e, como todo mal feito, o resultado não é dos melhores.

A história não é das mais profundas, afinal de contas uma raposa que resolve roubar propriedades vizinhas não é exatamente nenhuma tese de mestrado, mas tem vários detalhes interessantes que fazem pensar e, o mais importante, diverte seus espectadores.

A autoria dos longa, além dos tipos retratados, está em todos os detalhes. As roupas dos personagens são, assim, muito Wes Anderson. E então vêm os diálogos, as relações familiares, o Owen Wilson e não resta dúvida alguma de que aquela, ainda que dirigida à distância, seja uma obra do diretor.

Com todo o debate sobre a natureza animal, os instintos e outros detalhes também tão presentes na vida de cada um, o público logo fica do lado do carismático raposo ladrão e, além da torcida, dá boas gargalhadas.

Um filme gostoso de ver e que pode ser aproveitado naquele programa família de fim de semana.

Um Grande Momento

A conversa com o treinador.

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Animação/Aventura
Direção: Wes Anderson
Elenco: George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray, Wallace Wolodarsky, Eric Chase Anderson, Michael Gambon, Willem Dafoe, Owen Wilson, Wes Anderson
Roteiro: Roald Dahl (livro), Wes Anderson, Noah Baumbach
Duração: 87 min.
Minha nota: 7/10

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.

4 Comentários

  1. Tese é de doutorado e não de mestrado.
    Para mestrado fala-se dissertação.
    Beijos!

  2. Gosto muito dos trabalhos de Anderson (menos de Steve Zissou). Acho que a animação vai me agradar!

  3. Não gostei muito dos últimos trabalhos do Wes Anderson e espero que essa animação funcione como seu retorno aos bons tempos – até porque parece ser mais interessante que a maior parte dos atuais filmes do gênero.

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