Crítica | Streaming

Indústria Americana

(American Factory, EUA, 2019)
Documentário
Direção: Steven Bognar, Julia Reichert
Roteiro: Steven Bognar, Julia Reichert
Duração: 115 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Em 2008 a fábrica da General Motors localizada em Ohio fechou suas portas, deixando cerca de mil desempregados. Anos depois, a gigante chinesa produtora de vidros automotivos, Fuyao Glass, comprou a antiga fábrica da GM para dar início a suas operações nos Estados Unidos. As diferenças culturais e de relações trabalhistas entre chineses e norte-americanos são retratadas em Indústria Americana, documentário da Netflix.

É interessante observar no filme o quão disciplinados são os chineses, mesmo trabalhando exaustivas jornadas, e, por isso mesmo, muito mais produtivos. Ritmo que os americanos não apresentam. Pelo contrário, estão ressentidos por terem menos direitos e salários menores.

O documentário é hábil ao mostrar as diferenças sem tomar um partido exatamente, cabe ao público o olhar crítico sobre o que está presenciando. E, após recente reforma trabalhista aqui no Brasil, é interessante traçar paralelos, como com a cena em que supervisores explicam a seus funcionários que a entrada de um sindicato prejudicaria o diálogo e possíveis acordos direto com o patrão.

A câmera de Steven e Julia observa os trabalhadores e empresários, retrata seu dia a dia, reuniões e capta seus relatos. Não há narração em off ou depoimentos em forma de entrevista, dando à história um formato fluido, que desperta maior interesse no público. Os diretores também captam belas imagens da fábrica e das linhas de montagem.

E, sem soar artificial, Indústria Americana capta momentos curiosos dos operários americanos e chineses. Por exemplo, quando um supervisor, em visita à matriz chinesa, sugere ironicamente usar fita adesiva para calar os funcionários americanos e assim obter mais produtividade deles. É engraçado de tão absurdo.

Um Grande Momento:
“Os americanos são ineficientes”.

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Danielle Alvarenga

Danielle Alvarenga é das artes. Designer de formação e fotógrafa por paixão. Cinéfila e viajante de carteirinha. Tem cursos na área de crítica e linguagem cinematográfica, no escurinho do cinema ou na poltrona de casa encara toda e qualquer produção da sétima arte.
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