Crítica | VoD

Inocência Roubada

(Les chatouilles, FRA, 2018)

  • Gênero: Drama
  • Direção: Andréa Bescond, Eric Métayer
  • Roteiro: Andréa Bescond, Eric Métayer
  • Elenco: Andréa Bescond, Karin Viard, Clovis Cornillac, Pierre Deladonchamps, Grégory Montel, Carole Franck, Gringe, Ariane Ascaride, Cyrille Mairesse, Léonie Simaga
  • Duração: 103 minutos
  • Nota:

Em Inocência Roubada, Odette (Andrea Bescond) é uma bailarina profissional que encontrou na dança uma maneira de expressar suas emoções. Assombrada por uma história de abuso sexual na sua infância, ela busca agora se curar do seu trauma, se reconciliar com seu passado e justiça contra o pedófilo.

O pedófilo (Pierre Deladonchamps, de Um Estranho no Lago) é um amigo muito próximo da família e está sempre presente na vida da criança. Para os pais de Odete ele é apenas um “tio” que gosta muito dela, se oferece para passar fins de semana com ela e buscá-la na escola. Os pais não se dão conta e a criança não sabe bem como reagir aos abusos. Poderia ser um roteiro até comum, mas a história é ainda pior pois de fato aconteceu com Andrea, que também assina o roteiro.

Pierre Deladonchamps e Cyrille Mairesse em Inocência Roubada

A atriz passa toda inquietação e intensidade da raiva que sua personagem vive, tanto em sua interpretação quanta em sua dança. Ao mesmo tempo, a bailarina está tão angustiada por acolhimento que se recusa a ser dispensada pela psicóloga, quando esta tenta direcioná-la a outro profissional mais indicado ao caso. Assim, Odete e sua psicóloga revisitam (literalmente) algumas ocasiões no passado. Um recurso narrativo que dá uma linguagem teatral ao filme.

Junto com elas, vamos testemunhando aqui e ali como se davam as ações perversas desse “tio”, e é tudo bem revoltante, ainda que a direção tenha tomado o cuidado de não expor a pequena Cyrille Mairesse (intérprete de Odete aos 8 anos) ao retratar o abuso em si. Os atores não compartilharam o mesmo plano nas cenas mais fortes do abuso.

Andréa Bescond em Inocência Roubada

Em alguns momentos o filme quebra um pouco do drama e aposta, não muito acertadamente, em explorar do humor. Quando, por exemplo, Odete e sua psicóloga presenciam uma desajeitada peça infantil. Apesar desse tipo de tropeço, o filme aborda também a questão da responsabilidade dos pais na situação. E é igualmente revoltante a o quão tóxica é a mãe de Odete ao tomar conhecimento e lidar com o caso.

O filme não chega a ser uma grande obra. Mas tem sensibilidade ao tratar da pedofilia, sem pesar a mão no drama inerente ao tema. E, se você se pergunta como uma pessoa conhecida e íntima da família pode abusar de uma criança sem que ninguém tome conhecimento, ou sem que essa criança procure ajuda e conte para alguém, ao assistir a Inocência Roubada é possível chegar a essa resposta.

Um grande momento
O encontro de Odette adulta com a pequena Odette.

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Danielle Alvarenga

Danielle Alvarenga é das artes. Designer de formação e fotógrafa por paixão. Cinéfila e viajante de carteirinha. Tem cursos na área de crítica e linguagem cinematográfica, no escurinho do cinema ou na poltrona de casa encara toda e qualquer produção da sétima arte.
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