Crítica | Streaming

Jackass 4.5

Velha juventude

(Jackass 4.5, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Documentário
  • Direção: Jeff Tremaine
  • Roteiro: Jeff Tremaine
  • Elenco: Johnny Knoxville, Jeff Tremaine, Spike Jonze, Steve-O, Chris Pontius, Zach Holmes, Ehren McGhehey, Eric André, Jason ‘Wee Man’ Acuña, Rachel Wolfson, Eric Manaka, Dave England, Preston Lacy, Lance Bangs
  • Duração: 90 minutos

Nesse quarto (e meio) encontro cinematográfico, no entanto, há uma abertura sentimental que não havia sido explicitada em outro capítulo anteriormente. Como dito, tudo sempre esteve claro a respeito do quanto pessoas que se dedicam a, entre outras coisas, tocarem os órgãos genitais uns dos outros – muitas vezes com a boca – se gostam muito. Aqui, finalmente eles exibem na montagem da obra, a oralidade que talvez fosse desnecessária anteriormente a respeito dessa relação. Elaborada por Sascha Craven, Matthew Kosinski e Matthew Probst, a edição da produção é um trabalho hercúleo para elencar tanto material potencialmente engraçado sem perder de vista o que o torna, enfim, próprio: conhecer as motivações por trás de tantos absurdos. Não se trata de entender os truques do mágico, mas capturar entre as frestas o que une todas aquelas pessoas em prol de coisas tão estapafúrdias, e que enfim são justificadas pela força dessa união. 

Jackass 4.5 é uma versão dos cortes que caíram na edição dentro do que foi arrumado para Jackass Forever, a produção que estreou em fevereiro nos cinemas americanos e, tal qual todas as outras, não estreou aqui. Isso vai animar os muitos fãs da produção a pressionar a equipe a voltar atrás em algo que nem eles acreditam mais, que é algo como aposentadoria. Já não são mais garotos, isso é verdade, mas todo um grupo novo começa a fazer parte da equipe de veteranos, e o sucesso coletivo agora é tátil. A última cena da produção, envolvendo Tremaine e Jonze, deixa claro o nível de entrega pessoal e de carga emocional que, pasmem, existe em um material aparentemente gaiato como esse. É como se, finalmente, tivéssemos sido convidados de honra de uma festa cujo tapete vermelho nunca coube a nós. Estamos finalmente conhecendo os bastidores de uma amizade. 

É aí, nesse momentos soltos, que uma fagulha de excitação surge dos olhos de cada um ao estar onde estão, fazendo com o que fazem, com cada uma daquelas pessoas. É quando Steve-O e Chris Pontius falam um do outro, um para o outro, e nenhuma emoção precisa ser sentida do lado de cá para que entendamos toda a que corre do lado de lá. E daí para aceitar que uma águia coma uma isca enfiada na sua bunda, é um pulo. Em um tempo quando grandes filmes indicados ao Oscar discutem a adolescência tardia, a demora em perceber o que se quer do futuro e um futuro que parece sempre propenso a ser postergado em nome de um presente tão cheio de significados, algo como Jackass 4.5 mostra que esses caras já não querem envelhecer desde os 2000. E, pelo visto, podem continuar nessa escolha que parece ser a mais acertada, para deixar claro que laços verdadeiros só são descobertos quando vocês vomitarem juntos, pelo mesmo motivo. 

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Um grande momento
Zach Sashimi 

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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