Crítica | Streaming

Jeanne Dielman

(Jeanne Dielman, 23, quai du commerce, 1080 Bruxelles, BEL, FRA, 1975)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Chantal Akerman
  • Roteiro: Chantal Akerman
  • Elenco: Delphine Seyrig, Jan Decorte, Henri Storck, Jacques Doniol-Valcroze, Yves Bical
  • Duração: 202 minutos

Filmado há 46 anos, Jeanne Dielman é considerado por muitos críticos como a primeira obra-prima feminista do cinema. A sua realizadora, a belga Chantal Akerman tinha apenas 25 anos quando lançou o filme que tem 3 horas e 19 minutos de duração.

É importante citar a extensão da produção, pois o tempo e o espaço são os grandes protagonistas de Jeanne Dielman. A personagem título do filme, interpretada por Delphine Seyrig, forma o tripé que dá base à experiência sensorial de acompanhar três dias da vida dessa dona de casa viúva, mãe de um adolescente. A rotina de Jeanne é a mais trivial possível: arrumar a casa, preparar comida, cuidar do filho, deixar o tempo passar tomando uma xícara de café… A situação que destoa desse cotidiano são os encontros sexuais em troca de dinheiro que ela promove em casa. 

Jeanne Dielman

Não é fácil passar tanto tempo vendo cenas tediosas, mas elas são necessárias e parecem ter sido milimetricamente pensadas. A monotonia da vida de Jeanne é quase uma forma de protesto à falta de visibilidade e pouco protagonismo social das mulheres, principalmente à época na qual o filme foi feito, metade da década de 1970. Iniciado em meados dos anos 1960, o movimento feminista ainda continua se reafirmando dia após dia, mesmo em 2021, imaginem a longa caminhada que foi percorrida até a época em que Chantal Akerman criou o roteiro. O que só prova a vanguarda do filme.

Porém, a ideia de Akerman não seria tão bem-sucedida sem a presença de Seyrig. Emoções comedidas e gestos robotizados dão o tom da interpretação. A falta de uma trilha sonora e o abuso de planos estáticos são os ingredientes usados pela diretora para compor essa obra panfletária.

Jeanne Dielman

De relevância histórica, Chantal Akerman entrega uma obra que angustia e hipnotiza ao mesmo tempo. Sem nenhum receio algum de criar um filme maçante, ela tira vantagem das repetições como ferramenta de discurso em prol da visibilidade feminina.

Um grande momento
A tesoura

Mila Ramos

“Soteropaulistana”, publicitária, amante das artes, tecnologia e sorvete de chocolate. O amor pela Sétima Arte nasceu ainda criança, quando o seu pai a convidava para assistir ao Corujão nas noites insones. Apaixona-se todos os dias e acredita que o cinema é capaz de nos transportar a lugares nunca antes visitados. Escreve também no Cartões de viagens imaginárias.
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