Crítica | Festival

Land

Começo perdido nas montanhas

(Land, EUA, , 2021)

  • Gênero: Drama
  • Direção: Robin Wright
  • Roteiro: Jesse Chatham, Erin Dignam
  • Elenco: Robin Wright, Demián Bichir, Sarah Dawn Pledge, Kim Dickens, Warren Christie, Finlay Wojtak-Hissong
  • Duração: 89 minutos
  • Nota:

Há uma associação comum nos filmes de mudança e recomeço — muitas vezes pelo luto — com a necessidade de sofrimento pelo isolamento extremo. Land, estreia da atriz Robin Wright na direção, vai exatamente nessa direção ao contar a história de Edee, uma mulher atormentada e machucada pela própria sobrevivência.

Com roteiro do estreante Jesse Chatham em parceria com Erin Dignam, o longa segue uma trilha tradicional, que intercala a jornada de isolamento de Edee com as memórias que levarão o espectador aos motivos que a levaram até ali. Imageticamente isso se dá da maneira mais batida possível, por flashbacks óbvios e presenças concretizadas.

Land, de Robin Wright

Problema constante nas produções estadunidenses, com uma necessidade marcante de expôr em imagens todas as situações e sentimentos, para que tudo seja entendido nos mínimos detalhes, Land perde muito de sua força nessa obviedade. Embora tenham a possibilidade de chegar ao seu ponto de maneira potente, o roteiro e a direção optam por pitadas emotivas que pouco casam com os momentos tensos do filme, sempre tentando conduzi-lo ao melodrama superficial.

Se a trama se atrapalha com as imagens que manipulam, acerta nas que acompanham a busca de Edee por seu reencontro consigo. Com belas locações em Alberta, no Canadá, representando o Wyoming, o diretor de fotografia Bobby Bukowski tem bastante material para impressionar, e não tem dificuldade em fazê-lo. Wright, que além de dirigir protagoniza o filme, faz uma distribuição pro forma das cenas extremas, mas funcional. Se se excede, é em outros momentos, com planos deslumbrados característicos de primeira direção e muitos deles bastante influenciados pela experiência prévia com a televisão.

Land (2021)

Na atuação, ela se sai bem, mas na condução depende bastante das qualidades de seus atores. Seu principal parceiro de cena, que aparece pouco pelo próprio enredo, é Demián Bichir. Pena que, apesar de todas beleza do lugar, elaboração do desgaste físico e dos acertos da jornada presente, o filme não consiga resistir a um final óbvio e entregue ao apelo evidente. Mais do que a superação e o amadurecimento de sua protagonista, há uma vontade de emocionar em Land que ultrapassa a própria história e a boicota.

Ainda assim, tem os seus acertos e se estabelece como um bom começo de jornada, onde muitos detalhes e excessos devem ser observados, alguns elementos precisam encontrar a sua definição, mas o coração pode ser sentido, assim como uma boa percepção de atmosfera. A ver.

Um grande momento
Do banheiro

[Sundance Film Festival 2021]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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