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Lowriders: A Arte nos Carros

(Lowriders, EUA, 2016)
Aventura
Direção: Ricardo de Montreuil
Elenco: Gabriel Chavarria, Demián Bichir, Theo Rossi, Tony Revolori, Melissa Benoist, Yvette Monreal, Eva Longoria, Montse Hernandez, Noel Gugliemi, Bryan Rubio
Roteiro: Elgin James, Cheo Hodari Coker
Duração: 98 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆
Onde ver: Netflix

Ainda que não mergulhe de cabeça como poderia (e até deveria), é tão raro ser surpreendido por uma realidade alternativa dentro do que já foi mostrado no cinema, que assistir a Lowriders: A Arte nos Carros acaba proporcionando um prazer genuíno ao nos vermos diante de uma fatia crescente de interesse público, vide os ‘reality shows’ que investigam a rotina desses profissionais. Logo, os homens e mulheres que dedicam de corpo e alma à competições de carros rebaixados suntuosamente desenhados acabam tendo um foco aqui nesse registro cinematográfico dirigido por Ricardo de Montreuil (A Mulher do Meu Irmão), que infelizmente não se debruça de verdade sobre esse universo tão inusitado.

Ao invés disso, o filme cria uma história até interessante entre um pai e dois filhos, um deles saindo da cadeia ao início. Vivendo em torno das competições de “lowriders”, o que vemos em primeiro plano são as relações deterioradas entre os três personagens, e como todos vão minando uns aos outros por anos de mágoa e culpa. Essa família de origem mexicana já vive dentro de uma espécie de setor marginal por não ser norte americana de origem. Como o crime também os ronda, suas existências são ainda mais diminuídas. Mas o foco nas ações e consequências por parte dos personagens também não é aprofundada, o que prova essa característica geral da obra.

Gabriel Chavarria e Demián Bichir em Lowriders: A Arte nos Carros (2016)

Existe muita vontade de provar suas intenções, e pouca de apresentar seus argumentos. O filme insere um sem número de ideias e temas, todos muito envolventes e pertinentes, com elementos até renovados como já dito, mas esquece de aprofundar suas discussões e levar esses conceitos para além da teoria. Quase não há conflito em cena, e quase não há cenas motivadoras de tal. É como se tudo o que importa pra narrativa viesse do passado não-acompanhado do filme, e o mesmo se concentrasse em averiguar seus desdobramentos. Porém suas conclusões carecem de caráter empático para que o público se importe minimamente com o todo, que não tem a substância necessária para tal.

Demian Bichir (Uma Vida Melhor) é sempre um acerto, grande ator que entende tudo de deixas, do tempo da emoção, de compreensão espacial das ações dos personagens, e desenvolve um ser humano real, com múltiplas inquietações, ambíguo no trato das relações familiares conturbadas que desenvolveu com todos os outros personagens. Assim como ele, uma surpreendentemente contida Eva Longoria (Tempos de Violência) faz uma participação fina em meio aos ânimos exaltados no geral. Como se fosse a fiel da balança, ela é uma ponte de serenidade em meio ao caos. E se Theo Rossi (Além da Realidade) ao menos um caminhão de carisma carrega em cena como o filho pródigo, Gabriel Chavarria (Fúria em Alto Mar) deixa muito a desejar e também nos afasta do resultado.

Demián Bichir e Eva Longoria em Lowriders: A Arte nos Carros (2016)

O curioso de Lowriders, enquanto produção, são as forças, aparentemente contraditórias, que uniram seus esforços aqui. Brian Grazer, produtor de praticamente todos os longas de Ron Howard e vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante, e Jason Blum, dono da Blumhouse e indicado por Corra!, juntos em um projeto que não tem necessariamente a ver nem um ou outro. Um filme dramático com breves momentos tensos, nem é um filme ambicioso dramaticamente, tampouco tem emoções agudas ou gênero aparente; logo, as marcas de ambos não se valeram aqui, o que é interessante se pensarmos que ele deu liberdade a Ricardo, mas deixa a desejar quando pensamos que falta não apenas a substância já citada, mas também uma dose de tempero que defina um sabor ao molho.

Um Grande Momento:
Pai e filho se enfrentam.

Poster de Lowriders: A Arte nos Carros (2016)

Ver na Netflix

Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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