Crítica | Streaming

Luta de Garotas

Velhas fórmulas para ideias antigas

(Chick Fight, EUA, 2020)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Paul Leyden
  • Roteiro: Joseph Downey, Hope Bryant
  • Elenco: Malin Akerman, Bella Thorne, Dulcé Sloan, Kevin Connolly, Kevin Nash, Alec Mapa, Dominique Jackson, Fortune Feimster, Alec Baldwin, Alexia Barlier
  • Duração: 97 minutos

No cinema quase nada se cria, muita coisa se aproveita e nem toda se transforma. Luta de Garotas, disponível na Prime Video e que também atende pelo nome de Clube da Luta para Mulheres, é mais um exemplar genérico de comédia que parte de um lugar absolutamente conhecido e banal, percorre o caminho esperado e chega sem surpresas onde todos estavam esperando. A história é a de Anna, uma mulher fracassada que vê tudo aquilo que tenta fazer dar errado.

Segundo filme de Paul Leyden, que muda radicalmente de gênero depois do fraco terror Come Back To Me, o filme é roteirizado pela dupla de estreantes Joseph Downey e Hope Bryant. Desde o primeiro momento, nota-se a vontade de colocar a protagonista, vivida por Malin Akerman, como alguém retraída, que, além de todos os seus problemas, tem dificuldades para se encontrar em um mundo que já não está mais dentro das antigas caixas. A estruturação da personagem já não faria muito sentido por si só, e quando associada ao mote principal do filme fica mais complexa ainda.

Luta de Mulheres

Embora haja coisas interessantes em Luta de Garotas, a desconstrução do universo é bombardeada por estereótipos e determinações antiquadas: a lésbica pegadora que dá em cima de todas as mulheres sem querer saber se elas são heterossexuais ou não, a apresentação do casal de gays mais velhos e o modo como eles se comportam, a competição entre mulheres pela atenção de um homem e diálogos com piadas para lá de vergonhosas. Para além disso, a trama básica é rasteira e nada traz de interessante. Aquele mesmo trajeto de derrocada, descoberta, treino e desafio de filmes que envolvem luta.

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Ainda há aquela tentativa frustrada de investir em um treinador carismático que funcione como uma espécie de paródia do doutor Miyagi e em replicar as regras de clubes de luta vistas no mais famoso filme da temática. Tem também uma vontade muito grande de criar um vínculo que justifique a união entre a história do fracasso da vida de Anna a tudo isso, mas o elo não convence. No fim das contas, se há uma coisa que se destaca na produção são as cenas de luta, com coreografias divertidas e efeitos que fazem alguma diferença.

Luta de Mulheres

Akerman, que recentemente esteve dando seus chutes e socos na ação Missão Pijamas, volta a brigar e agora tem a companhia da requisitadíssima Bella Thorne, de A Babá: Rainha da Morte e Girl, como sua rival, e Dulcé Sloan, como a melhor amiga. As três, assim como todo o resto do elenco, completo com Kevin Connolly, Kevin Nash e participação especial de Alec Baldwin, parecem se divertir com aquilo, mas não tem muito o que fazer com seus personagens além disso. Leyden também não se preocupa em aprofundar nada, Luta de Garotas, em sua linearidade, assume a intenção de distrair e fazer rir momentaneamente.

Luta de Garotas é um exemplar bem genérico, sem força e sem novidade, que pensa que está arrasando na mensagem, no entanto está tão cheio de questões quanto qualquer outro filme de décadas passadas. Enquanto comédia de ação, serve para passar, mas só isso mesmo.

Um grande momento
Não levanta

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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