Crítica | Streaming

Malévola: Dona do Mal

(Maleficent: Mistress of Evil, EUA/GBR, 2019)
Fantasia
Direção: Joachim Rønning
Elenco: Angelina Jolie, Elle Fanning, Harris Dickinson, Michelle Pfeiffer, Sam Riley, Chiwetel Ejiofor, Ed Skrein, Robert Lindsay, David Gyasi, Jenn Murray, Juno Temple, Lesley Manville, Imelda Staunton
Roteiro: Linda Woolverton, Micah Fitzerman-Blue, Noah Harpster
Duração: 119 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Há um conforto em voltar a um universo conhecido na infância, mesmo que seja para subvertê-lo. Estar no mesmo lugar, vendo aqueles que se conhece tão bem, facilita a conexão e o fluir de qualquer nova trama. Foi assim com Malévola (2014), uma revisita e repaginada que fez bem ao envelhecido e ultrapassado universo do desenho animado A Bela Adormecida (1959). Porém, a ganância da Disney, acostumada a extrair a última gota de qualquer coisa que traga dinheiro ao estúdio, foi lá e conseguiu estragar isso com Malévola: Dona do Mal.

A continuação, desnecessária, aproveita quase nada daquilo que o primeiro filme tinha de bom. Não há familiaridade com os personagens ou ligação com os contos de fadas que dê conta do roteiro atrapalhado e mal desenvolvido. Até mesmo a pegada feminista é abandonada para dar lugar a uma visão bastante batida e pouco interessante da maternidade.

Malévola precisa lidar agora com o desejo de Aurora se casar e com a família do futuro noivo. Por trás da trama primária, que envolve muito ciúme e superproteção, há ainda ódio pelo mundo das fadas e vingança na figura de uma rainha amarga, vivida por Michelle Pfeiffer. Daí para a competição entre mulheres e limites ultrapassados é um pulo.

A trama de desconstrução da imagem de Malévola para Aurora é frouxa e pouco envolvente. Nem mesmo Elle Fanning parece acreditar naquilo que está tendo que interpretar. E o que se sucede é ainda pior, com grupo undergroud de fadas guerreiras – onde os seres que se destacam (ou falam) são masculinos –, massacre de espécies e reviravoltas previsíveis. Tudo meio jogado, sem muita questão de fazer sentido.

Para complicar ainda mais, o diretor Joachim Rønning parece ter se empolgado com a profusão do roteiro e resolveu colocar na tela tudo o que podia. Seu universo é povoado de vários elementos, tantos que mal se sobressaem aqueles do filme anterior, como o trio de fadas-madrinhas ou o corvo, fiel escudeiro de Malévola. E olha que Sam Riley tenta muito.

Assim, em Malévola: Dona do Mal, vê-se coisa de mais e sente-se de menos. E não tem nem como prestar muita atenção naquilo que se quer dizer, porque, se há algo, está perdido no meio daquilo tudo. Uma pena desperdiçar o resgate de uma história assim.

Um Grande Momento:
Ensaiando o sorriso.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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