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Manifesto É Tudo Verdade: Nunca parar e nem silenciar

Um país sem imagens de si mesmo é como alguém que não sabe quem é

A cerimônia de encerramento do 25º É Tudo Verdade Festival Internacional de Documentários foi marcado pelas vozes de diretores dos documentários brasileiros presentes na seleção. O manifesto em forma de jogral foi editado especialmente para o evento e contou com a participação de Aurélio de Michiles, Bernardo Vorobow, Bruno Moreschi, Carlos Adriano, Carol Benjamin, Clarice Saliby, Cláudio Moraes, Diógenes Muniz, Guga Millet, João Jardim, Jorge Bodanzky, Marcelo Machado, Mari Moraga, Mariana Lacerda, Paschoal Samora, Rafael Veríssimo, Roberto Berliner, Rubens Rewald, Silvio Tendler, Tali Yankelevich e Toni Venturi falaram ao país.

Leia a íntegra da carta:

É com sentimento de pesar que nós, diretores dos filmes do 25º festival de documentários É Tudo Verdade, manifestamos nosso total desacordo com os rumos da política cultural do país. O governo de extrema direita de Jair Bolsonaro age desde o início para atacar e silenciar os brasileiros que fazem da cultura e da arte o seu ofício, tratando-nos como seus inimigos.

A atividade audiovisual está paralisada desde março de 2019, com a suspensão de todos os recursos públicos para a produção de filmes e séries. Isso tem provocado uma taxa crescente de desemprego. São muitas as empresas que estão falindo, cineastas passando necessidade e a ameaça de paralisia total do setor. Isso sem falar da Cinemateca Brasileira, com seu acervo histórico que corre o risco de total destruição.

A realidade que nos cerca, gritando em meio a paisagem agônica das incêndios de setembro, não é uma mera metáfora. O fogo que destrói o Pantanal e a Amazônia, ocorre sob o mesmo governo irresponsável que ignora a tragédia da COVID-19 e que despreza as artes, cultura, a educação e a ciência. Eles têm medo de nós. A situação é gravíssima.

Por isso, convidamos as realizadoras e realizadores do audiovisual a se voltarem, mais uma vez, para a realidade. E, acima de tudo, não se intimidarem. É preciso cada vez mais buscar novas formas de produzir  e registrar a nossa memória. E nunca parar e nem silenciar. Um país sem imagens de si mesmo é como alguém que não sabe quem é. É um país com alzheimer.
 

Redação

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