Crítica | Outras metragens

Marianne

(Marianne, FRA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ficção
  • Direção: Julien Gaspar-Oliveri
  • Roteiro: Julie Debiton
  • Elenco: Pauline Lorillard, Soumaye Bocoum
  • Duração: 17 minutos

Uma entrevista para uma websérie sobre heroínas da vida real se revela uma complexa trama no curta Marianne. Em apenas 17 minutos, conhecemos aquela que não consegue falar de si mesmo para a câmera que insiste em abordá-la. Com uma atuação precisa de Pauline Lorillard (Deixe a Fera Sair), o incômodo dela é perceptível e se evidencia depois da ruptura com uma pergunta justamente sobre o seu grande feito. A desconexão também está por trás das câmeras, em tentativas infrutíferas de contato e um plano que não consegue se estabilizar.

O curta de de Julien Gaspar-Oliveri está interessado naquela dinâmica e a expõe de duas maneiras, diretamente com as imagens captadas por Elodie, a jornalista que grava a websérie, e aquelas que filma as duas durante todo o processo de produção. Uma delas está carregada com a percepção daquela que a capta, a outra tenta apenas acompanhar os eventos.

O estranhamento e a falta de intimidade entre as duas personagens vai se transformando em compreensão e, embora nunca se tenha a segurança em um laço, é possível perceber uma transformação entre as duas personagens e em suas individualidades que as aproxima. Gaspar-Oliveri traça um caminho complexo, mas intrigante e, na exclusão e no desespero contido, com pistas que começam a fazer cada vez mais sentido à medida que o filme avança, aproxima Marianne não só de Elodie, mas do público também.

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Marianne fala sobre exclusão social e falta de oportunidades, sobre pessoas que são postas à margem e não têm a chance de se recolocar. Fala também dessa noção de heroísmo que transforma as pessoas momentaneamente, mas não as tira do lugar onde estão para a sociedade.

Com um final que não poderia ser muito diferente do é, Marianne deixa a sua marca. Ele vem anunciado por tudo o que o filme indicou até ali. Com uma trilha tocante e bem pontuada pelo diretor de fotografia Robin Fresson (de Le petit), a personagem pode não ficar, mas vai estar para sempre.

Um grande momento
Sumindo

[13º MyFrenchFilmFestival]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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