Críticas

Meu Nome É Sara

(My Name Is Sara, EUA, 2019)
Drama
Direção: Steven Oritt
Elenco: Zuzanna Surowy, Konrad Cichon, Pawel Królikowski, Piotr Nerlewski, Michalina Olszanska, Eryk Lubos, Artur Sokolski, Marcin Sokolski, Aleksandra Pisula, Ksawery Szlenkier
Roteiro: David Himmelstein
Duração: 111 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

O longa-metragem Meu Nome É Sara conta a história real de Sara Guralnik, uma judia que fugiu aos 13 anos, após sua família ser assassinada pelos nazistas, e se escondeu na casa de um casal de fazendeiros usando a identidade de sua melhor amiga, uma cristã. Era 1942, a Segunda Guerra já durava três anos e o exército alemão, depois de tomar boa parte da Europa, se dirige à União Soviética.

Enquanto contextualiza o espectador, o filme chega ao Rio Korchik e às florestas que o circundam, local onde os judeus se escondiam para tentar sobreviver às investidas do Reich. A abertura do filme, por suas escolhas estéticas, é interessante. A câmera experimenta e tenta recriar sensações, indicando a possibilidade uma abordagem original do tema.

Mas a inovação não sobrevive ao prólogo. Assim que Sara e seu irmão saem do rio, o filme adquire a estética mais quadrada e previsível possível. Além de alguns exageros, a fotografia de Marian Prokop se atrapalha com algumas escolhas. Em um filme sobre sobreviventes de guerra, onde a tensão da descoberta é uma constante, imagens tão idílicas e iluminadas, como as tomadas dos raios de sol na igreja, chegam perto de soar de mau-gosto.

O descompasso acompanha a irregularidade das escolhas narrativas do diretor Steven Oritt. Se no suspense ele consegue se encontrar, ao construir personagens que demoram a se revelar ou situações ansiosas de perigo iminente, a mudança para o melodrama é pesada e descompassada. São diálogos exagerados, destacados pelas opções de plano, marcações de cena e trilha sonora. Isso sem falar dos flashbacks.

Tanta artificialidade faz com que a aproximação à história fique prejudicada. Embora haja um interesse em saber o que aconteceu a Sara e àqueles com quem ela morou, o caminho não é o dos mais fáceis, justamente pelo exagero e pela vontade de mostrar demais, e às vezes coisas que nem se adequam ao tema retratado.

Ainda assim, o filme traz pontos relevantes na discussão, como a compreensão do conflito por aqueles que não fazem parte dele. Naquele espaço de guerra, entre Polônia e Ucrânia, os inimigos não eram tão determinados, nazistas e russos causavam o mesmo sentimento na população local. Ou mesmo a questão da mulher, numa realidade de violência e exposição, quando o medo do homem é sempre uma constante, e da ligação e cumplicidade que a situação de vulnerabilidade traz, mesmo entre diferenças.

A própria história, inacreditável mas comum entre relatos de sobreviventes, tem os seus méritos, o problema é mesmo o modo como decidem contá-la. Se aquela intenção dos primeiros momentos se mantivesse, talvez Meu Nome É Sara fosse bem melhor.

Um Grande Momento:
Fugindo com o irmão.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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