(In guerra per amore, ITA, 2016)

Comédia
Direção: Pif
Elenco: Pif, Miriam Leone, Andrea Di Stefano, Stella Egitto, Vincent Riotta, Maurizio Marchetti, Sergio Vespertino, Maurizio Bologna, Antonello Puglisi, Mario Pupella, Orazio Stracuzzi
Roteiro: Pif, Michele Astori, Marco Martani
Duração: 99 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

É muito comum que cinéfilos conheçam a influência da máfia italiana nos Estados Unidos. Não faltam Coppolas e Scorseses para contar isso. Mas é sobre a influência estadunidense na máfia siciliana que Na Guerra por Amor vem falar. O modo como o país americano usa a máfia através de um de seus representantes, o famoso Lucky Luciano, evita baixas de guerra na chegada ao território e, de certo modo, perpetua a modelo de governo contaminado pelas relações mafiosas escusas.

Usando eficientemente o particular registro cômico italiano, ora exaltando o humor físico, ora o humor textual, o longa-metragem parte de uma história de amor ingênua para justificar sua existência na ilha italiana. O casamento dessas duas jornadas, a do apaixonado cavaleiro errante e a de um tenente que percebe os equívocos da aliança, e suas diferenças são responsáveis pelo que há de mais interessante no longa-metragem.

O filme é dirigido e roteirizado pelo apresentador de televisão e comediante Pierfrancesco Diliberto, mais conhecido como Pif, que dá vida ao soldado Arturo. A organização criminosa que dominou a ilha por tantos anos é tema recorrente na obra do comediante, em programas de televisão, livros e aqui em seu segundo longa depois de A Máfia Mata Apenas no Verão. O fato de ter nascido na ilha, na cidade de Palermo, ajuda na intimidade e insatisfação com a devastação causada pela máfia.

Embora trate de um tema indigesto e, inclusive, exagere a mão na hora de expor os fatos reais por trás da história, o modo como o faz em grande parte do filme agrada justamente pelo equilíbrio da ingenuidade e do humor. Mesmo que não haja um rigor estilístico e perceba-se que a intuição guia o longa, a ligação com a história que se conta cativa.

Em um mosaico de personagens coadjuvantes curiosos, pequenas atuações se destacam, como a do pequeno a espera do pai, a da dupla de miseráveis Saro e Mimmo, e a do avô fanático por Mussolini, que protagoniza uma cena deliciosa de corrida de estátuas rumo a um abrigo antibombas.

Na Guerra por Amor é um filme divertido e conta uma história curiosa que reverte a imagem que se tenta passar dos Estados Unidos frente à máfia e, mais além, frente a tantos outros territórios por eles invadidos em nome da “democracia”.

Um Grande Momento:

Madonna e Mussolini.

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