Crítica | Streaming

Não Me Mate

Um novo crepúsculo

(Non mi uccidere, ITA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Fantasia
  • Direção: Andrea De Sica
  • Roteiro: Gianni Romoli , Andrea De Sica, Antonio Le Fosse, Giacomo Mazzariol, Marco Raspanti, Re Salvador, Eleonora Trucchi
  • Elenco: Alice Pagani, Rocco Fasano, Silvia Calderoni, Fabrizio Ferracane, Sergio Albelli, Giacomo Ferrara, Anita Caprioli
  • Duração: 90 minutos

A abertura de Não me Mate, produção italiana que estreia hoje na Netflix, traz o hit “Blinding Lights” do The Weeknd sendo executada a todo volume, enquanto um casal jovem vagueia de carro por uma estrada estreita. De olhos fechados. Rapidamente, o filme mostra seus protagonistas como inconsequentes e com um flerte muito sério com o tal “outro lado da vida”. Talvez seja a respeito disso que trata o filme, adaptação do livro de Chiara Palazzolo, uma leitura sobre a perseguição juvenil por uma imortalidade que o tempo nos mostra impossível de alcançar. Á primeira vista, temos um assunto minimamente interessante a ser tratado, e com uma seriedade raramente vista em produções para esse mesmo público.

O filme é dirigido por Andrea De Sica, neto do imortal Vittorio De Sica, que aos 40 anos entrega seu segundo longa-metragem com visão no futuro, o que aqui significa realizar continuações dessa história; sim, provavelmente assim no plural. A história de Mirta e Robin rapidamente se mostra insuficiente de ser contada em uma única produção, e já que o livro é a primeira parte de uma trilogia, nada mais comum que esperemos as produções seguintes, tendo em vista que literalmente não há fim aqui. Só que o que se abria com coragem para tratar um tema pertinente a uma faixa etária, acaba se tornando mais uma busca por contar histórias fantásticas teens superficiais.

Aos poucos, percebemos que o tal livro parece se inspirar na saga Crepúsculo, porém os livros foram publicados no mesmo ano. Então existia uma vontade inexplicável espalhada pelo mundo de investigar o fascínio que a morte exerce sobre a juventude, e como esse ímpeto da imortalidade estava sendo difundido em livros de origens tão distantes. Seja como for, a adaptação italiana acontece com 14 anos de diferença para a americana, e fica quase impossível dissociar os dois projetos, ainda mais tendo em vista que De Sica não fez muita questão de afastar os paralelos visuais que colam uma adaptação da outra.

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O que mais impressiona (pela cara de pau, lógico) é a caracterização do ator Rocco Fasano, quase idêntica à de Robert Pattinson no original de Catherine Hardwicke. Corte de cabelo, a tal pele alvíssima, as próprias feições dos dois atores e vários ângulos parecem ter sido escolhidos para colocá-los à prova de semelhança, e Não me Mate passa no teste de similaridade. Já Alice Pagani não se trata de uma sósia de Kristen Stewart, embora toda essa produção seja muito próxima da trama do penúltimo capítulo da saga, Amanhecer – Parte 2, quando Bella é transformada em vampira enfim, o que deve atrair os fãs da obra de Stephenie Meyer em peso.

Se Não me Mate tem um ponto de partida carregado de expectativas narrativas, quando o filme mostra quais são seus interesses reais, tudo se diminui de impacto e a produção acaba incorrendo em clichês antiquados, de seitas que exploram os poderes desconhecidos de uma nova raça de “humanos” – os tais Mortos-Vivos. Obviamente o filme deixa tudo em aberto para que nos interessemos a acompanhar os próximos capítulos, mas as semelhanças com uma saga que não deixou lá muitas saudades trazem a verdade à tona – apenas o público-alvo deve esperar os próximos capítulos, ainda que saibamos no futuro detalhes riquíssimos sobre o tal grupo imortal.

O filme indaga mais do que responde, e tem esse já citado clima soturno de verdade, mas que pode também ser confundido com uma versão cinematográfica de um clipe do Evanescence. Ainda que fiquemos pela cansativa hora e meia de duração ligados nas respostas, saber que elas não virão por ora aborrece mais do que instiga, no final das contas. A jovem Pagani, no entanto, é boa atriz e sustenta algum interesse, o que nos resta torcer para que Palazzolo seja mais criativa com seus livros do que Meyer era com os dela, já que não demorará para que novas continuações nos tragam Mirta de volta.

Um grande momento
O ataque de Mirta no corredor

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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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1 Comentário
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Caralho ta foda
Caralho ta foda
01/11/2022 20:12

Uma merda!!! É melhor do que muitos filmes de comédia

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