Crítica | Cinema

O Bom Doutor

(Docteur?, FRA, 2019)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Tristan Séguéla
  • Roteiro: Jim Birmant, Tristan Séguéla
  • Elenco: Michel Blanc, Hakim Jemili, Solène Rigot, Chantal Lauby, Franck Gastambide, Artus, Fadily Camara, Ophélia Kolb, Maxence Tual, Jacques Boudet
  • Duração: 90 minutos

A velha e boa, confiável comédia francesa — que inclusive marca presença com um ou mais títulos anualmente no Festival Varilux do Cinema Francês — está bem representada por esse O Bom Doutor. Dirigido por Tristan Séguéla, acompanha o chato doutor vivido por Michel Blanc (ator com uma carreira longeva e que é uma especie de Jackee Totò triste e perdedor) durante uma madrugada de plantão médico que muda a sua vida.

A trama bastante simples é executada com eficácia desde o princípio, quando o caminho do doutor se cruza com o do entregador de aplicativos Malek (Hakim Jemilli), uma criatura doce e absolutamente atrapalhada que o irrita bastante. Mas, como as boas comédias sobre duplas improváveis, uma sucessão de situações fazem com que eles permaneçam juntos até o desfecho da história.

O Bom Doutor
Foto: Divulgação

A química entre Blanc e Jemilli é ótima, rendendo momentos comoventes, como quando conversam sobre a morte do filho do médico e tudo que o levou a estar numa situação financeira difícil e até alguns hilários, como o paciente que está constipado precisa de uma mãozinha lá embaixo. Os dois ainda formam um trio bastante carismático com Solène Rigot, que vive Rose, a deprimida ex-nora.

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Ao longo dos desastrosos atendimentos médicos, alguns muito bem sucedidos, apesar de tudo apontar para o contrário, Jemilli vai se tornando as mãos do doutor, vencido pelo tempo e por dores reumáticas. E, com isso, o antigo sonho de ser enfermeiro socorrista vai florescendo. Comparativamente a Up, uma das obras maestras da Pixar, esse O Bom Doutor traz um jovem com espírito de escoteiro que, com seu jeitinho irritante mas sempre otimista, vai tirando o velho desiludido do luto eterno. Sem cinismo, tendo como recurso o que de mais básico e eficaz comédias físicas podem trazer, como uma farsa que ajuda a revelar a verdadeira natureza dos personagens.

Nesses tempos tão bicudos e cínicos faz bem demais assistir a esse O Bom Doutor e acreditar que um arco-íris há de surgir no céu e fornecer alguma esperança num futuro melhor.

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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