Crítica | StreamingDestaque

O Bom Velhinho Voltou

Desastrosa comédia natalina

Os filmes que bamburram nessa época do ano seja nos cinemas ou no streaming já acenam para a possibilidade de servir como conforto para quem aprecia a época de Natal e gosta de desligar a mente com um filme sem grandes pretensões envolvendo todos os símbolos do período festivo. Indo do extremos como a fábula de Dr. Seuss O Grinch ou o clássico Simplesmente Amor (muito copiado e referenciado), a Netflix é um repositório para essa categoria de filmes e tem lá seus acertos, mesmo que ingênuos e pouco criativos como Um Match Surpresa ou Crônicas de Natal e equívocos completos como esse O Bom Velhinho Voltou.

O medo já toma conta e gela o coração nos créditos iniciais, onde o elenco, bem bacana por sinal, é apresentado parecendo uma peça escolar… John Cleese (do Monty Python) e Kelsey Grammer (o eterno Frasier) trazem alguma respeitabilidade como os irmãos John e James Christmas, que precisam resolver um grande conflito familiar para que todos possam celebrar juntos o natal.

O Bom Velhinho Voltou
Divulgação

E aí uma sucessão de clichês e atuações afetadas, em especial de três das quatro filhas Christmas, vividas por Elizabeth Hurley, Talulah Riley, Nathalie Cox e Naomi Frederick entram em curso. A mais velha é extremamente megera, mente a idade e rivaliza com a caçula, que age meio como a ovelha negra e dá dor de cabeça para a anfitriã, a irmã mais certinha, metódica e que, consequentemente, tem uma vida sexual monótona – essa é a correlação feita pelo roteiro -, sobrando quase nenhum espaço para a irmã menos bonita e intelectual cuja obsessão é terminar a tese que está escrevendo sobre os Beatles, por isso passa boa parte do filme usando a máquina de escrever.

Apoie o Cenas

Se as personagens das irmãs são as que tem maior desenvolvimento, já que o drama envolvendo o pai delas, James, o tio John e a mãe Lilibeth (Caroline Quentin) as afeta diariamente e envolve traição e abandono no dia de Natal, os personagens dos respectivos maridos ou namorados estão ali meramente como objetos de cena. Pouco desenvolvidos e quase histriônicos, Peter Hope (Kris Marshall, de Simplesmente Amor, olhe só!) é o anfitrião e Félix (Ray Fearon) é o convidado que namora a irmã mais velha, e é sempre confundido com o anterior. Até o clichê mais evitável, da rivalidade e ridicularização dos norte-americanos em um filme britânico, está presente com April, a namorada de James, sendo a típica loira californiana com algum tipo de retardo intelectual, mas com bom coração.

Tortuoso como um feriado de Natal passado com parentes detestáveis, esse O Bom Velhinho Voltou está longe de ser um passatempo confortável minimamente esquecível.

Um grande momento
O curto circuito na árvore de natal

Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
Botão Voltar ao topo