(First Man, EUA/JAP, 2018)
Drama
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll, Patrick Fugit, Christopher Abbott, Ciarán Hinds, Olivia Hamilton, Pablo Schreiber, Lukas Haas
Roteiro: James R. Hansen (livro), Josh Singer
Duração: 141 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Damien Chazelle é um cineasta habilidoso. Ainda que não unânime e bastante calculista, consegue fazer com que música e imagem se mesclem de jeito a construir novas realidades impressionantes. Competente na condução de atores, encontrou na música – não só aquelas que integram a suas obras – uma espécie de guia: a construção de seus filmes é como se fosse uma partitura, atenta a inclusão harmônica de elementos, à importância do tempo em pausas e à precisão do ritmo.

Não à toa, seus três primeiros filmes eram musicais: Guy and Madeline on a Park Bench (2009), Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014) e La La Land: Cantando Estações (2016). Em todos, a melodia de Chazelle pode ser facilmente assimilada, dada a natureza das obras, mas ela realmente se afirma em seu último trabalho, o drama biográfico O Primeiro Homem. O longa acompanha a história de Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua, desde antes de seu ingresso na Nasa.

A história vai ao encontro de um dos símbolos máximos da propaganda norte-americana: a auto-declarada supremacia na corrida espacial, motivo que espalhou entre as crianças do mundo o sonho de tornar-se astronauta e colocou os Estados Unidos em ainda mais evidência. Chazelle não alcança a crítica com O Primeiro Homem. Como as crianças citadas, está mais contaminado com o êxtase propagado da ação do que com qualquer coisa que esteja por trás disso.

Ainda que superficial, o roteiro de Josh Singer, inspirado no livro homônimo de James R. Hansen, busca se completar na história de vida do astronauta: suas perdas e conquistas, seu modo de superar os revés e seguir em frente. Há uma prevalência de Armstrong sobre qualquer outra coisa viva no filme: todos são menos importantes ou merecem menos atenção. O movimento é o de personalização do mito, e pode até funcionar para alguns, mas é restritivo e pouco envolvente. Ter Ryan Goslin como intérprete também traz a mesma dicotomia na aceitação.

Se o conteúdo tem suas restrições, na forma está a segurança do diretor. As composições de cenas; os tempos das sequências; o casamento com a trilha musical; um jogo de interações não só entre os personagens, mas também entre ambientes, e a grandiosidade de todas as tomadas espaciais compõem um conjunto – harmônico como é o trabalho de Chazelle – impressionante. Há uma vaziez fria, mas não é incômodo algum olhar para ela.

O Primeiro Homem está, portanto, no meio do caminho entre as impressionantes obras de ficção científica sobre a exploração espacial e a vontade de resgatar o romantismo criado pela propaganda norte-americana. Com tanto dinheiro e tanto esforço, falta algo realmente novo – e profundo – ao filme. É apenas uma composição interessante, bonita de se ver, mas não vai muito além disso.

Um Grande Momento:
Janet no centro de controle.

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