Crítica | VoD

O Prisioneiro

(Imprisoned, EUA, 2018)

  • Gênero: Drama
  • Direção: Paul Kampf
  • Roteiro: Paul Kampf
  • Elenco: Laurence Fishburne, Edward James Olmos, Esai Morales, Fernanda Urrejola, Jon Huertas, Juan Pablo Raba, Paul Kampf, Juana Acosta
  • Duração: 104 minutos
  • Nota:

Partindo do pesadelo da culpa, O Prisioneiro é um filme que está entre a vingança de um e sua desgraça e a redenção de outro. No centro da trama está uma prisão histórica real prestes a ser demolida. A história do Presídio Rio Piedras, em Oso Blanco, é realmente sombria. Conhecida como Alcatraz do Caribe, ela é lembrada pela péssima administração e pela brutalidade com que tratava os prisioneiros. Com a dificuldade de manter e conservar as instalações, o governo de Porto Rico decidiu demolir o lugar e construir no local uma prédio ultra-tecnológico.

O filme tenta se ancorar nesse abandono do passado e na chegada de um futuro completamente diferente. Mas, ao contrário da art deco que abre espaço a instalações espelhadas e cheias de vidro, as marcas deixadas pela passagem na prisão não podem ser esquecidas. Esse é o mote principal e é o que está em Daniel Calvin, personagem atormentado de Laurence Fishburne (Contágio). Se sua ligação não se estabelece nos primeiros momentos não demora para que se compreenda o que o filme quer dizer.

Laurence Fishburne em O Prisioneiro

Apelando para o flashback, o longa dirigido e roteirizado por Paul Kampf, que também atua nele, vai traçando seu caminho buscando sempre a justificação de tudo aquilo que mostra e, principalmente, do lugar onde quer chegar. A obviedade domina as pontuações do peso negativo do lugar. “A justiça começa e termina aqui”, “Sua liberdade acaba quando esses portões se fecham” são frases lidas por todos os lados, ressaltando as já óbvias péssimas condições do lugar.

Para construir o outro lado, a mudança do estilo é estranha. Drones filmam um barco no mar e interações tão ensolaradas quanto fracas enchem a tela. A interação entre Maria e Dylan é extremamente cafona e supérflua. Aliás, sobra muita coisa exagerada no filme, com destaque para a trilha sonora, sempre muito manipuladora, ora açucarada, ora tensa.

Juan Pablo Raba em O Prisioneiro

O roteiro também não ajuda muito, com vários diálogos fracos. O encontro de Maria e Daniel não consegue convencer. Aliás, há muito pouca coisa que convence no filme. Tudo é muito artificial, estereotipado, contaminado de uma visão predeterminada de posturas e regionalismos. Sem falar na previsibilidade. Não demora muito para que se entenda de onde se veio e para onde se vai.

Muitos dos signos são reaproveitados: aqueles que dizem respeito à vingança e à corrupção, ou os que determinam os filmes de prisão, como solitárias, confrontos, carcereiros violentos, reuniões no pátio e princípios de rebelião. Há ainda uma péssima representação feminina, numa angustiante abordagem equivocada da mulher. Assim, O Prisioneiro não consegue nem mesmo ser um exemplar genérico. Mesmo que parta de um lugar promissor não chega onde gostaria de chegar. Nem perto disso.

Um Grande Momento
Não há.

Ver “O Prisioneiro” no Cinema Virtual

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo