Crítica | Streaming

O Protetor

(The Equalizer, EUA, 2014)

  • Gênero: Ação
  • Direção: Antoine Fuqua
  • Roteiro: Richard Lindheim
  • Elenco: Denzel Washington, Chloë Grace Moretz, Marton Csokas, David Harbour, Haley Bennett, Bill Pullman, Melissa Leo
  • Duração: 132 minutos
  • Nota:

Já pela capa é possível antecipar o que esperar do longa-metragem de Antoine Fuqua. A suspeita se confirma com a frase de Mark Twain abrindo o filme: “Os dois dias mais importantes da sua vida são os dias que você nasce e o dia que você descobre o porquê”. O Protetor é inspirado no seriado policial dos anos 1980 The Equalizer, mas não é tão apegado a ele. Se lá era protagonizado por Edward Woodward, agora quem assume o ex-agente Robert McCall é Denzel Washington.

McCall agora trabalha em um depósito e está decidido a levar uma vida tranquila. Metódico, ele vai todos os dias ao mesmo lugar, onde faz sempre a mesma coisa: ler. Lá ele conhece a prostituta Teri e é ela o motivo de ele deixar a aposentadoria de lado. Washington se sai bem no papel de justiceiro matador, trazendo ao personagem uma austeridade que já lhe é característica.

Denzel Washington em O Protetor

Fuqua, que já trabalhou com Washington em Dia de Treinamento e na nova versão de Sete Homens e um Destino, sabe trabalhar com a tensão e compor esteticamente as cenas de ação. Elas não são tão numerosas em O Protetor, mas têm uma agitação que as torna eficientes.

Embora dê boa parte de sua atenção a essa agitação, o longa está mais interessado em seu personagem, no conflito de retornar a um passado que ele quer superar. O roteiro de Richard Wenk deixa ao espectador criar a origem de McCall e deduzir o que o levou até aquela vida de desconexão com sua vida de antes. O diretor trabalha as questões de maneira visual, na intensidade da luz e na composição dos quadros.

Chloë Grace Moretz e Denzel Washington em O Protetor

Essa inescapabilidade é um peso e nos faz retornar para a frase de Twain que abre o filme. O ancorar-se em uma questão existencial e dar a ela alguma complexidade é uma abordagem interessante para um filme do gênero, ainda mais no mar de vaziez que o ronda. Fuqua mostra que é possível. Se há muita coisa positiva nesta intenção e vertente, do outro lado, o excesso de cortes, até por sua incompatibilidade, e a duração excessiva pode incomodar alguns. Mas não é algo que realmente comprometa a experiência.

O Protetor é uma boa ação, com profundidade pouco vista e um protagonista que conquista o espectador desde o primeiro momento. O longa teve uma continuação, lançada em 2018.

Um Grande Momento
“16 segundos”. 

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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