Pois é, 2025 acabou. E para começar bem o novo ano, vamos dar uma olhada nos filmes lançados comercialmente que se destacaram para os nossos editores, Cecilia Barroso e Francisco Carbone. Cada um deles escolheu seus 20 favoritos nacionais e internacionais. De suas listas pessoais saíram os 10 Melhores Filmes de 2025 brasileiros e internacionais. Vamos conferir?
Num ano tão bom para o Brasil, com o nosso primeiro Oscar por Ainda Estou Aqui, com toda a repercussão de O Agente Secreto depois de duas vitórias importantes no Festival de Cannes, com O Último Azul brilhando na Berlinale e tantos filmes incríveis, a disputa foi acirrada. Embora o primeiro lugar tenha ganhado com folga.
Curiosamente, pela primeira vez na história do Cenas, o favorito dos dois críticos foi o mesmo filme. Oeste Outra Vez, de Erico Rassi, chega como uma reconfiguração do faroeste tradicional em um gesto humano e compactado. O filme busca a origem da violência e da paixão na vida de brutos homens do interior goiano, conectando desejos, abandono e orgulho ferido em uma narrativa que se desenvolve com intensidade contida e uma presença feminina que, mesmo fora de quadro, está sempre presente.
Logo em seguida aparece O Agente Secreto, reafirmando o destaque na temporada e todo o barulho que vem fazendo, inclusive com chances concretas de aparecer no Oscar 2026. O longa de Kleber Mendonça Filho se constrói na relação entre memória e ausência e fala da ditadura brasileira sem obviedades, mesclando drama, tensão policial e suspense em um olhar que privilegia o que não é dito, mas ressoa no detalhe, no registro e no arquivo abandonado.
Os demais títulos brasileiros da lista revelam a diversidade de caminhos do cinema nacional em 2025: A Natureza das Coisas Invisíveis, dirigido por Rafaela Camelo, acompanha a aproximação de duas meninas durante um verão atravessado por hospital, família e despedida; Baby, de Marcelo Caetano, é um drama centrado em afetos e sobrevivência urbana; em Aos Pedaços, do veterano Ruy Guerra retorna ao thriller psicológico ao acompanhar um homem dividido entre duas casas idênticas, duas mulheres e uma paranoia desencadeada por um aviso de morte; já Suçuarana, road movie de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, segue Dora por um território marcado pela mineração, entre ausências, ruínas e deslocamentos.
A Batalha da Rua Maria Antônia, de Vera Egito, em uma alegoria da polarização atual, retoma a famosa rua paulistana, espaço de choque político e histórico recorrente nas discussões sobre memória no país; o documentário Seu Cavalcanti, de Leonardo Lacca, acompanha ao longo de anos o avô do diretor, um senhor de mais de noventa anos em sua tentativa de recompor autonomia e prestígio após uma contrariedade; Manas integra a lista como um título que se volta a estruturas de poder que mantém um ciclo de abuso; e Ainda Não É Amanhã, de Milena Times, acompanha Janaína, jovem da periferia do Recife e bolsista de Direito, quando uma gravidez indesejada reorganiza seus planos e suas relações.
Filmes Internacionais
Assim como na escolha dos filmes brasileiros, nas listas internacionais houve outra coincidência. Tanto Cecilia quanto Francisco escolheram Misericórdia como o melhor filme do ano. Dirigido por Alain Guiraudie, o longa acompanha Jérémie em seu retorno à cidade natal para um funeral, quando passa a se enredar em uma dinâmica marcada por desejo, estranhamento e mistério.
Dois filmes que se destacaram na temporada e devem ganhar várias indicações ao Oscar 2026 também aparecem bem colocados. Pecadores, terror de época dirigido por Ryan Coogler, que fala de música, tradição, usurpação e apagamento. Já Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson, constrói uma trama familiar para falar de política, de extremos e de outros caminhos.
A lista internacional se completa com títulos de origens e gêneros variados. Tem filme que fala de isolamento, de conexão, de família, delírio, delocamento, não pertencimento e mais um monte de coisa. Vamos dar uma olhada.
TOP 10 BRASIL

10. Ainda Não É Amanhã, de Milena Times

9. Manas, de Marianna Brennand

8. Seu Cavalcanti, de Leonardo Lacca

7. A Batalha da Rua Maria Antônia, de Vera Egito

6. Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges

5. Aos Pedaços, de Ruy Guerra

4. Baby, de Marcelo Caetano

3. A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo

2. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho

1. Oeste Outra Vez, de Érico Rassi
TOP 10 INTERNACIONAL

10. Grand Tour, de Miguel Gomes

9. The Mastermind, de Kelly Reichardt

8. O Brilho do Diamante Secreto, de Hélène Cattet e Bruno Forzani

7. Valor Sentimental, de Joachim Trier

6. As Aventuras de uma Francesa na Coreia, de Hong Sang-soo

5. Flow, de Gints Zilbalodis

4. Cloud – Nuvem de Vingança, de Kiyoshi Kurosawa

3. Uma Batalha Após a Outra, de Paul Thomas Anderson

2. Pecadores, de Ryan Coogler

1. Misericórdia, de Alain Guiraudie
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