Crítica | FestivalFestival de Brasília

Piedade

(Piedade, BRA, 2019)
Drama
Direção: Cláudio Assis
Elenco: Matheus Nachtergaele, Fernanda Montenegro, Cauã Reymond, Irandhir Santos, Gabriel Leone, Mariana Ruggiero
Roteiro: Hilton Lacerda, Anna Carolina Francisco
Duração: 85 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Alteração dos ecossistemas por exploração econômica, disputa de terra entre grandes empresas e pequenas comunidades locais, dramas familiares, segmentos marginalizados, ativismo social, tudo isso está contemplado em Piedade, filme de Cláudio Assis, conhecido por sua observação social e pela habilidade em criar atmosferas.

O ambiente em que vivem Sandro (Cauã Reymond) e seu filho Marlon (Gabriel Leone) é cuidadosamente construído e quase é possível sentir o cheiro do lugar. Em outro ambiente é apresentada uma comunidade acostumada a viver do mar, representada pela família de dona Carminha (Fernanda Montenegro). Os moradores da praia do Segredo vivem o drama de serem pressionados pelo ambicioso funcionário de uma multinacional, Aurélio (Matheus Nachtergaele), a vender suas terras para que a empresa possa expandir seus negócios.

Entre a disputa por espaço e os dramas pessoais de Sandro, dono de um cine pornô, há a revolta de não poder entrar no mar, invadido por tubarões, após a alteração do ecossistema marinho com a instalação de plataformas da multinacional de Aurélio.

A intenção de abordar diversos temas em apenas uma película gera uma sensação de frustração a quem espera o aprofundamento de cada dilema, causando o incômodo de que o filme nunca chega a um ápice.

Apesar disso, Piedade propõe reflexões inevitáveis: há como uma multinacional, ou um funcionário, acostumado ao luxo e as facilidades de uma metrópole, julgar que oportunidades e vida são melhores para uma comunidade acostumada a viver do mar e da pesca? Como conciliar interesses? Como impedir o desaparecimento desses modos de vida com a imposição do poder econômico?

O filme expõe os diversos valores que movem as pessoas: dramas pessoais, dinheiro, tecnologia, tradição, família, vínculo com a natureza, engajamento social, e por meio dos personagens escancara a forma individual de enxergar a vida e a tentação de impor ao outro o “melhor” ou o jeito “certo” de viver.

Um Grande Momento:
“Esse cheiro é sempre assim?”

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Fabiana Derzié

Fabiana Derzié é uma mãe jornalista tentando levar mais gentileza, beleza e amor ao mundo por meio da educação de seus pequenos. Apaixonada por arte e tudo que a envolve, se arrisca em poesias, textos existenciais, artesanatos, costura, pintura e o que mais possa permitir a expressão do que não é possível verbalizar. Voltando a cultivar sua paixão antiga pelo cinema escrevendo, escrevendo e escrevendo...
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