Crítica | Streaming

Por Lugares Incríveis

(All the Bright Places, EUA, 2020)
Drama
Direção: Brett Haley
Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Kelli O’Hara, Lamar Johnson, Virginia Gardner, Felix Mallard, Sofia Hasmik, Keegan-Michael Key, Luke Wilson
Roteiro: Liz Hannah, Jennifer Niven
Duração: 107 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Um filme com o selo Netflix dedicado a todos com transtorno mental, suicídio ou luto. Por Lugares Incríveis, ou Por Todos os Lugares Brilhantes, no original, se aproxima não só temática como semanticamente de A Culpa É Das Estrelas, mórbido romance teen sucesso nas bilheterias. Cumprindo um papel social que, volta e meia, também cabe às produções hollywoodianas – afinal a estrela pop Selena Gomez não à toa resolveu produzir a série 13 Reason Why –, esse filme baseado no best-seller de Jennifer Niven e adaptado por ela mesma e Liz Hannah traz todos os ingredientes para engajar as audiências e criar alguma consciência sobre o tema da saúde mental.

Elle Fanning (Malévola), também produtora executiva, e Justice Smith (Cidades de Papel) vivem um casal disfuncional. Se conhecem na escola, onde ele tenta insistentemente se aproximar dela após um encontro desastrado – porém providencial – numa ponte. Arredia e vivendo o luto da irmã mais velha, morta num acidente de carro em sua presença, Violet hesita ao embarcar em passeios pelos lugares incríveis do título com Theodore, mas acaba se rendendo perante o indisfarçado destemor do rapaz.

No limite para não parecer realmente um obcecado que fica perseguindo Violet, ele tenta motivar a menina com frases como “Você tem no mínimo mil capacidades em você, mesmo que ache que não”, ao passo em que ela descobre que seu amigo/paquera coleciona frases motivacionais e gotas de pensamentos em post-its (de marca) espalhados por todos os cantos do quarto. “Sinto mil capacidades brotar em mim”.

Ela embarca e mergulha de cabeça no relacionamento com Theodore, que, por sua vez, tem vários demônios para combater e, por isso, volta e meia some, desaparece por uns dias. O final trágico do relacionamento deixa aquela sensação de “hum, desde ‘Romeu & Julieta’ já vi tantas histórias assim…” mas é, ainda que imperfeita, uma bem vinda atualização do clássico contemporâneo Meu Primeiro Amor, que traumatizou gerações ao fazer Macaulay Culkin ser consumido por uma colmeia.

“Não há problema em se perder contanto que se ache o caminho de volta….” – Violet (Elle Fanning) lê enquanto apresenta o trabalho na escola e percorre os lugares mapeados por Theodore. O relacionamento deixa marcas na menina, que encara um processo de cura onde entende que existem lugares brilhantes em tempos sombrios e, mesmo que não houvesse, ela pode ser esse lugar com mil capacidades contidas em si. Ingênuo, um bom passatempo e que ainda deixa algumas lições bonitinhas, Por Lugares Incríveis não é um filme realmente marcante, mas, apoiado no carisma e na química deliciosa entre Elle e Justice, funciona e provoca algum maravilhamento.

Um Grande Momento:
Eu estive aqui – T. F.

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Lorenna Montenegro

Lorenna Montenegro é crítica de cinema, roteirista, jornalista cultural e produtora de conteúdo. É uma Elvira, o Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema e membro da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Cursou Produção Audiovisual e ministra oficinas e cursos sobre crítica, história e estética do cinema.
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