(Power Rangers, CAN/EUA, 2017)
Ação
Direção: Dean Israelite
Elenco: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludi Lin, Becky G., Elizabeth Banks, Bryan Cranston, Bill Hader
Roteiro: Shuki Levy, Haim Saban (seriado), John Gatins
Duração: 124 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Sensação entre as crianças do final dos anos 1990, Power Rangers era mais um seriado baseado na tradição dos Tokusatsus e dos Sentais. Apostando no humor, com efeitos especiais toscos e bichos gigantes esquisitos, o programa entretinha seu público e era inspiração de muitas brincadeiras de morfar ou esperar o megazord chegar.

Pela popularidade do original, a notícia da adaptação gerou expectativa de como as histórias do quinteto chegariam ao cinema. Como seriam os efeitos? Quem seriam os Rangers? Elizabeth Banks (Jogos Vorazes) funcionaria como Rita Repulsa? Essas eram algumas das questões.

O diretor Dean Israelite tinha dois caminhos a seguir: escolher a gozação escrachada do programa de TV ou se levar a sério e tentar contar a história de vida daqueles adolescentes que precisam aprender a conviver com poderes inesperados. Porém, ele não conseguiu escolher nenhum e resolveu trabalhar com os dois juntos.

Sem um rumo estabelecido, a história vai se enrolando e só consegue encontrar suporte nas piadas e dos momentos de humor gratuito para manter a atenção do público. A dubiedade também está nas escolhas estéticas. A fotografia chapada de várias cenas reforça a impressão de telefilme, o que fica até charmoso neste caso, mas contrasta com a construção visual cheia de efeitos de Repulsa e Goldar, que passa bem longe do que era visto no seriado.

A impressão que fica é a de que, durante as quase duas horas de projeção, tanto pela forma como pelo conteúdo, vê-se dois filmes diferentes passando ao mesmo tempo. Um insiste em se levar a sério e o outro consegue se entregar à despretensão que está por trás da história.

Outra coisa que chama atenção negativamente é a heterogeneidade do elenco, algo bem próximo de um casting todo saído de Malhação. Apesar disso, mesmo que nem todos os jovens atores consigam se sair bem na demonstração de sentimentos, o talento de RJ Cyler (Eu, Você e a Garota que Vai Morrer) e o destaque de seu ranger no roteiro equilibram as coisas.

Mas a falta de qualidade tem todo direito de ser relativizada quando se fala da adaptação de um seriado como Power Rangers, que nunca teve grandes pretensões e era feito do jeito que dava. A descoberta do poder, o simpático Alpha 5, o treinamento e até mesmo a destruição provocada por Repulsa divertem quem está no cinema para matar a saudade dos almoços em frente à televisão vendo Jason, Kimberly, Billy, Zack e Trini derrotando vários tipos de monstros.

Pode até não ser o melhor Sentai, mas Power Rangers tem tudo para agradar os fãs.

Um Grande Momento:
O salto.

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