(Split, EUA, 2017)
Suspense
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley, Haley Lu Richardson, Jessica Sula, Izzie Coffey, Brad William Henke, Sebastian Arcelus
Roteiro: M. Night Shyamalan
Duração: 117 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Lá nos finalzinho dos anos 1990, surgia no cenário mundial um diretor com uma criatividade e um controle cênico/técnico bem acima da média dos novos realizadores. O filme era O Sexto Sentido, o diretor, M. Night Shyamalan. Imediatamente, todos os holofotes voltaram-se para ele, que voltou a agradar com seu segundo filme, Corpo Fechado. Pronto, foi o suficiente para o público aclamar um novo “mestre”.

Embora sempre muito fiel a sua criatividade, algo que jamais se poderá questionar no diretor, Shyamalan seguiu acreditando demais no título que lhe deram e, contaminado por isso, não conseguiu criar mais nada à altura. Acertos esporádicos e uma megalomania evidente passaram a definir seu trabalho. Até que o fundo do poço, com O Último Mestre do Ar e Depois da Terra, parece ter feito o diretor parar para pensar.

E veio A Visita, algo mais simples, mais voltado a seus primeiros filmes, mas ainda insuficiente, e agora Fragmentado, que finalmente funciona como deveriam funcionar os filmes daquele diretor promissor lá de 1999.

Não que seja perfeito, mas com um bom ritmo e muito controle de como a trama se desenvolve, o longa envolve quem o assiste e funciona como entretenimento de qualidade. No filme, três adolescentes são sequestradas por um homem com transtorno de múltiplas personalidades. Mais não se pode falar para não estragar a experiência.

Em cena, Shyamalan conta com duas forças: James McAvoy (O Procurado), como Bernie, Dennis, Hedwig e outros, e Anya Taylor-Joy (A Bruxa), como a mais forte e resistente das três adolescentes. McAvoy tem o trabalho mais complexo, uma vez que precisa mudar de personalidade em gestos e feições, e se sai realmente muito bem. Taylor-Joy, por sua vez, tem tanta coisa escondida dentro de si e na formação de sua personalidade que é um presente para quem atua. Presente este bem aproveitado pela jovem atriz.

Ela está tão bem no papel que deixa a impressão de tê-lo compreendido melhor do que o próprio criador. Enquanto preenche as lacunas e se expõe no jeito de falar, olhar e se mover, o diretor acredita que precisa de um algo a mais para contar a sua história.

E é aí, mais precisamente em desnecessários flashbacks, que o filme perde a chance de ser algo diferente e muito mais impactante. Ao criar essa segunda história, compreensível por diversas dicas deixadas pelo caminho, Shyamalan vacila e demonstra que não confiava tanto assim na personagem que tinha em mãos.

Mas não é nada que comprometa a tensão e a suspense de Fragmentado. Um filme que veio para mostrar que o velho Shyamalan está de volta e, dessa vez, mais consciente e dedicado ao que realmente importa em um filme de entretenimento.

O longa tem vários agrados para os fãs, mas o melhor deles está no final.

Um Grande Momento:
Na viatura.

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