(Razzia, FRA/MAR/BEL, 2017)
Drama
Direção: Nabil Ayouch
Elenco: Maryam Touzani, Arieh Worthalter, Amine Ennaji, Abdelilah Rachid, Dounia Binebine, Abdellah Didane, Saadia Ladib, Younes Bouab, Maha Boukhari, Nezha Tebbai
Roteiro: Nabil Ayouch, Maryam Touzani
Duração: 119 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Há uma força inegável em Primavera em Casablanca por sua exposição e tentativa de compreensão da estrutura social e política de Marrocos. O filme se passa em dois tempos diferentes: nos anos 1980, quando o governo decide proibir o ensino de matérias como filosofia e sociologia e o uso da língua berbere em salas de aula, e no ano 2015, quando o país se encontra em convulsão impulsionado pela Primavera Árabe.

Para contar sua história, Nabil Ayouch aposta em um filme-mosaico e destaca cinco personagens: um professor de ciências de um pequeno vilarejo nas montanhas do Atlas, uma mulher que resiste às imposições de costumes islâmicos, uma adolescente que ainda não encontrou seu lugar no mundo e quer confrontar a família, um jovem fã de Freddie Mercury incompreendido pelo pai, e um dono de restaurante e chef de cozinha judeu que sente a discriminação religiosa.

Cada uma dessas histórias tem o seu interesse e marca bem a pluralidade de situações que merece ser denunciada pelo longa, mas sucumbe à fórmula. Fazer um filme-mosaico é algo que exige muita habilidade e equilíbrio. Embora Ayouch demonstre sua competência em várias passagens do filme, como quando Salima tira a maquiagem em reverso ou Hakim canta uma música de seu ídolo, o conjunto é frágil e irregular.

Alguns personagens têm espaço demais na trama enquanto outros são pouco explorados; questões graves de discriminação e preconceito às vezes chegam sem força, em construções onde a carga sentimental força-se piegas seja pelo som ou pela imagem. É como se o muito dito (e mostrado) esvaziasse aquilo que quer dizer.

Numa espécie de conflito estético, a sobrecarga que busca essa conexão na marra com o espectador, e está no roteiro, na trilha e nas atuações, é muito menos eficiente do que os enquadramentos executados, muitos deles capazes de gerar essa ligação. Ao tentar unir suas histórias, o diretor parece esquecer-se disso.

Não que o desequilíbrio invalide o filme e sua radiografia atual da sociedade do país. Mesmo que haja equívocos na forma da apresentação, há muita validade naquilo que se vê, no explorar daquela realidade e das origens da exclusão e de todo um movimento que paralisou não só Marrocos, mas o mundo árabe como um todo.

Um Grande Momento:
Maquiagem.

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Crítica originalmente publicada na revista Lume Scope.