Crítica | Streaming

Projeto Gemini

(Gemini Man, CHN/EUA/IND, 2019)

  • Gênero: Ação
  • Direção: Ang Lee
  • Roteiro: David Benioff, Billy Ray, Darren Lemke
  • Elenco: Will Smith, Mary Elizabeth Winstead, Clive Owen, Benedict Wong, Douglas Hodge, Ralph Brown, Linda Emond
  • Duração: 117 minutos
  • Nota:

Nesse universo de superproduções de ação é possível encontrar de tudo. Experiências de diretores renomados que não dão certo, produções de nomes menosprezados que funcionam muito bem, algumas inovações, muitas repetições. Projeto Gemini pode ser classificado na prateleira da frustração com nomes conhecidos. Assinado por Ang Lee, em uma insistência no gênero depois de Hulk, o filme não chega muito longe.

Partindo da pouca original premissa do duplo, traz a dobradinha Will Smith e Will Smith numa trama que envolve agências de segurança, projetos secretos e super snipers. Com quase todos os passos podendo ser antecipados e um distanciamento crescente desde a primeira missão de Henry Brogan, não tem quase nada que realmente interesse naquilo que se vê. 

Projeto Gemini

Quase nada, porque o filme tem sequências de ação tão absurdas que acaba despertando alguma atenção, como a briga com a moto. Ainda que ela e outras sejam tão sintéticas quanto o roteiro de David Benioff, Billy Ray e Darren Lemke, o absurdo daquilo que se vê diverte. Mas não tem distração que suporte a ausência de uma história minimamente instigante.

Aquilo que não é previsível é aleatório. Personagens surgem e desaparecem sem parcimônia e a história se enrola para chegar naquele ponto esperado desde o começo. Até mesmo a tentativa de reviravolta no final é a mais óbvia possível. Entre as situações e diálogos estão Mary Elizabeth Winstead (Scott Pilgrim Contra o Mundo), Clive Owen (Closer) e o próprio Smith (Eu sou a Lenda), que não têm muito sobre o que se esforçar.

Projeto Gemini

Projeto Gemini até tenta beber em outras fontes, seja na construção gráfica da ação ou no próprio aproveitamento do universo do duplo, com a comparação de sentimentos e medos, mas, neste ponto, está muito mais próximo de incursões negativas do que positivas. Dá para lembrar, por exemplo, de O Confronto (2001) e do pavoroso Cópias (2018).

Por fim, todos aqueles 117 minutos são apenas uma perda de tempo elaborada, com muitos passeios – que começam pela Bélgica e passam por Cartagena, na Colômbia, e por Budapeste, na Hungria – e cenas de perseguição bem caras. Mas, por mais que disfarce o rosto e viaje pelo mundo todo, é só isso mesmo: perda de tempo.

Um Grande Momento
Cruzado de pneu direito.

Telecine

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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