(Resident Evil: The Final Chapter, FRA/ALE/CAN/AUS, ano)
Ação
Direção: Paul W.S. Anderson
Elenco: Milla Jovovich, Iain Glen, Ali Larter, Shawn Roberts, Eoin Macken, Fraser James, Ruby Rose, William Levy, Mark Simpson
Roteiro: Paul W.S. Anderson
Duração: 106 min.
Nota: 1 ★☆☆☆☆☆☆☆☆☆

Resident Evil 6: O Capítulo Final marca a consagração de dois feitos difíceis de serem alcançados na produção americana. O primeiro vem a ser a adaptação de videogames para o cinema, que geralmente não consegue ir além da segunda tentativa, a exemplo de Mortal Kombat, Tomb Raider e Terror em Silent Hill. Já o segundo é a formação de uma franquia com uma heroína como protagonista, com Milla Jovovich assegurando uma longevidade outrora alcançada somente com Sigourney Weaver em Alien.

Lamentavelmente, essa quebra positiva de paradigmas não significa que a derradeira aventura de Alice esteja cercada de virtudes. Ao contrário, pois o diretor britânico Paul W.S. Anderson comanda O Capítulo Final com desleixo, chegando inclusive a descartar personagens tão importantes desse universo pós-apocalíptico sem prestar contas à plateia.

Após uma introdução que trata de nos relembrar toda a concepção e percurso do T-Vírus, uma criação da Umbrella Corporation que transformou toda a humanidade em zumbis, vemos uma Alice em um contexto um pouco distinto daquele que vimos na conclusão de Resident Evil 5: Retribuição. Traída por Wesker (Shawn Roberts), ela agora está à própria sorte no mundo e sem os superpoderes que herdou a partir do momento em que foi submetida como um experimento da Umbrella.

A partir de um holograma da Rainha Vermelha (Ever Anderson, filha de Milla e Paul na vida real), Alice é desafiada a retornar à Colmeia da Umbrella em Raccoon City, cenário em que o início de todo o caos foi instaurado. Ela terá um pouco mais de 40 horas para chegar ao destino e a promessa é a de ser recompensada com um antídoto que pode assegurar a sobrevivência dos poucos humanos que ainda restam no planeta.

Como aqui é a conclusão de Resident Evil, Paul W. S. Anderson se permite a cometer várias infrações, como ressuscitar o Dr. Isaacs (Iain Glen) – aquele que vimos sendo repartido em pedaços em Resident Evil 3: A Extinção seria um mero clone. Ele será o principal empecilho de Alice, conferindo ao primeiro ato de O Capítulo Final ares de Mad Max, com mercenários dando espaço para mortos-vivos.

O que não se pode negar é o quanto Paul W.S. Anderson conseguiu se renovar com o aprimoramento do 3D possível após Avatar. Repensando Resident Evil para se adequar ao formato (bem como fez em Os Três Mosqueteiros e Pompeia), Anderson quase derrubou as barreiras entre mídias permitindo que o espectador tivesse uma função mais ativa em sua ação deslumbrante, sobretudo em Resident Evil 4: Recomeço.

Em O Capítulo Final, o seu estilo é totalmente abandonado para priorizar o movimento, a contagem regressiva. Abandona o uso da câmera lenta e a contemplação diante de cada golpe e disparo para acelerar as coisas, obrigando o montador Doobie White a intervir, com um sem número de cortes, em cada detalhe dos embates entre Alice e os seus inimigos. O resultado obtido é atroz, ampliado ainda mais com um 3D que transforma cada plano em borrões de CGI.

Sem uma experiência visual digna, justamente o quesito que assegurava a sobrevivência da cinessérie, resta acompanhar os desdobramentos patéticos de um roteiro que prepara surpresas sobre o passado da protagonista, todas possíveis de serem descortinadas de antemão. Aqui, há também a de volta Claire Redfield (Ali Larter), mas nada se justifica sobre a ausência de personagens como o seu irmão Chris (Wentworth Miller) ou Jill Valentine (Sienna Guillory), esta a única personagem com uma popularidade equivalente a de Alice.

A desonestidade também povoa os instantes finais de Resident Evil 6: O Capítulo Final, deixando pontas soltas o suficiente para viabilizar a continuidade da franquia, uma marca como cinema e como game forte demais para se deixar de escanteio. Que em uma próxima aventura tenhamos a bordo mentes criativas capazes de reanimar uma franquia que chega aqui no seu ponto menos lisonjeiro.

Um Grande Momento:
Os risos involuntários com a formação da trindade Alice.

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