(Um Filme de Cinema, BRA, 2017)
Infantil
Direção: Thiago B. Mendonça
Elenco: Bebel Mendonça, Isadora Mendonça, Rodrigo Scarpelli, Eugenia Cecchini, Antonio Petrin, Alípio Freire, Carlos Francisco, Alícia Cardoso, Isaac Salles, Pietro Ganja, Camila Urbano, Marilza Batista, Fernanda Azevedo, Val Pires, Ieltxu Ortueta
Roteiro: Thiago B. Mendonça
Duração: 108 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Cenas bonitas, homenagens nostálgicas e uma certa fofura não sobrevivem sem uma estrutura que as justifique. Um filme é, antes de tudo, o conjunto de todas as ferramentas utilizadas para criar a mensagem que se quer passar com ele. Em Um Filme de Cinema, longa-metragem de Thiago B. Mendonça (Jovens Infelizes), falta justamente esse conjunto, essa estrutura, essa cola que faz com que todas as intenções se transformem em algo marcante.

Há um roteiro, uma história, e isso fica claro. Porém, a tentativa de mesclar sequências cênicas de homenagem e de criação ao dia a dia da família, tentando naturalizar o que não pode ser naturalizado e é inorgânico, faz com que o filme acabe sem ritmo definido e, pior, perdido em seu próprio formato.

A artificialidade está na direção de arte, na inserção das canções e até nas atuações, muito destoantes umas das outras. Mas é aí que talvez esteja o que o filme tem de mais atraente, pelo menos para os mais novos: seu elenco infantil, encabeçado pela filha do diretor Bebel Mendonça, e a aura mágica que envolve as aventuras da pequena cineasta.

Ainda que não se comunique muito bem com os adultos, sequências como o passeio pelo zoológico, a relação com o cachorro e o fazer um filme pelas crianças, conversa muito bem com os menores de 10 anos, que veem a história na tela sem se importar tanto com os problemas ao longo do filme.

Assim, Um Filme de Cinema é um longa que, mesmo que tenha muitos tropeços graves, tem uma meiguice em sua concepção, um carinho por parte de seu realizador que são óbvios e funcionam muito bem com seu público-alvo, as crianças.

Mas estava na seleção da Mostra Aurora, a vitrine do novo cinema brasileiro, em um festival como Tiradentes. Obviamente, não é o tipo de filme que se espera ver ali e isso influencia no modo como a obra será recebida por aquele público. Mas, mesmo distanciando-se e olhando além disso, é impossível não perceber os problemas estruturais que comprometem o ritmo do longa-metragem.

Um Grande Momento:
O filme de Bebel.