Um Brasil imenso, onde apenas 5% dos municípios têm uma sala de cinema. O Circuito Nacional de Exibição do Revelando os Brasis é uma das iniciativas que visa diminuir essa discrepância e aproximar a população do cinema. Com um caminhão-cinema, visita de municípios com até 20 mil habitantes de 12 estados de todas as regiões promovendo sessões abertas e gratuitas em ruas e praças. As exibições trazem curtas-metragens produzidos pelo projeto, com histórias reais ou inventadas roteirizadas e dirigidas por moradores das comunidades. Realizado pelo Instituto Marlin Azul e patrocinado pela Petrobras, o Revelando Brasis chega este ano a sua sexta edição, que acontece de 22 de agosto e 11 de outubro.

Neste período, a caravana percorre cerca de 14 mil quilômetros e realiza 20 sessões nos estados de Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, Alagoas, Paraíba, Ceará, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Adaptado para se transformar em cabine de projeção, o caminhão-cinema é equipado com uma tela de seis metros de altura, projetores, sistema de sonorização e cadeiras para acomodar os espectadores.

Na Comunidade Quilombola de Pedra Branca, em Vargem Alta, no Espírito Santo, acontece a primeira sessão, no dia 22 de agosto, com o lançamento do curta-metragem local A Viagem de Seu Arlindo, dirigido pela professora Sheila Altoé, uma das 15 selecionadas nesta sexta edição do projeto. A ficção é inspirada num dos relatos resgatados em rodas de contação de história envolvendo novas e antigas gerações de moradores da região.

A mostra será exibida também nos municípios de Vargem Alta e Laranja da Terra (ES), Urucuia e Barroso (MG), Lençóis e São José do Jacuípe (BA), Quebrangulo (AL), São Domingos do Cariri (PB), Icapuí (CE), Bom Jesus do Tocantins (PA), Arraias (TO), Nossa Senhora do Livramento (MT), Guarujá do Sul (SC), Antônio Prado (RS) e Águas de Lindóia (SP). Também receberão a mostra os municípios de Linhares (Vila de Regência) e São Mateus, no Espírito Santo.

Oito documentários, seis ficções e um filme que mistura os dois gêneros compõem esta sexta edição. Além da obra produzida na cidade, cada sessão inclui a exibição de uma seleção de filmes feitos em outros municípios, totalizando uma programação de uma hora e meia de duração.

As histórias e os autores

Chica
Direção, roteiro e produção: Andrea Guanais
Lençóis – BA
Ficção: A luta, a sorte e o destino de uma mulher garimpeira contados nesta aventura repleta de mistério na Chapada Diamantina.

A Aventura da Primeira Bicicleta
Direção, roteiro e produção: Carlos Henrique da Costa
Águas de Lindóia – SP
Ficção: Inspirado nas memórias de infância do diretor, o filme conta as aventuras de Carlinhos em sua busca pela realização do sonho de ter a primeira bicicleta. Entre as dificuldades enfrentadas, vivencia a descoberta de valores que levará para toda a vida.

Tropel
Direção, roteiro e produção: Cesar Theis
Guarujá do Sul – SC
Ficção: Tito é um menino que vive com seus avós no interior de Santa Catarina. Enquanto brinca e cresce, vai descobrindo nas histórias do avô mais do que palavras.

O Pescador de Memórias
Direção, roteiro e produção: Eliabe Crispim
Icapuí – CE
Documentário: Um pescador da praia da Ponta Grossa, litoral leste do Ceará, despertou o interesse por descobrir suas origens. Nas horas livres caminhava nas dunas onde começou a encontrar vestígios de ocupação humana, desenvolvendo uma paixão pela arqueologia e por sua ancestralidade.

O Rio que não Seca
Direção, roteiro e produção: Geilane de Oliveira
São José do Jacuípe – BA
Documentário: Ao retornar à antiga escola agrícola, memórias do tempo de menina se encontram e se repetem, conforme os anos mudam rostos e a paisagem.

Nêga da Costa
Direção, roteiro e produção: Joelson de Oliveira
Quebrangulo – AL
Documentário: Em Quebrangulo, terra marcada por conflitos, na época da escravidão os senhores assediavam suas escravas, que eram escolhidas nas noites de festas enquanto dançavam ao som de tambores. Quando os homens negros começaram a se vestir com roupas de mulheres para confundir seus senhores, nasceu a Nêga da Costa.

Quilombo Mata Cavalo
Direção, roteiro e produção: Jurandir Amaral
Nossa Senhora do Livramento – MT
Documentário: No Quilombo Mata Cavalo, quilombolas distribuídos em seis comunidades resistem para preservar seus traços culturais, manter a integração comunitária e conquistar a regularização das terras herdadas de seus ancestrais.

A Sússia, de Lucrécia de Moura Dias

A Sússia
Direção, roteiro e produção: Lucrécia Dias
Arraias – TO
Documentário: Ao som de caixas, pandeiros e bumbos, mulheres e homens de todas as idades cantam, tocam, batem palmas, dançam, recriam as tradições e recontam sua própria história na Comunidade Quilombola Lagoa da Pedra.

Baixa Funda, o Destino de um Povo
Direção, roteiro e produção: Marcello Sannyos
Urucuia – MG
Documentário: Dona Joana, descendente de negros e índios, mãe de 11 filhos, relata suas histórias, anseios, crenças e o cotidiano na lida da vida rural na Comunidade Baixa Funda, em Urucuia, Minas Gerais.

Filó
Direção, roteiro e produção: Maria Odette Meotti de Bairros
Antônio Prado – RS
Ficção: Uma família de imigrantes italianos mantém por várias gerações a tradição de receber amigos, parentes e vizinhos em sua casa para o Filó. Juntos, em torno da mesa farta, comemoram a vida e mantêm as tradições de seus antepassados.

Rasga Mortalha
Direção, roteiro e produção: Pattrícia de Aquino
São Domingos do Cariri – PB
Ficção: Seu Arlindo desconfia que uma coruja agourenta possa ser a responsável pelas mortes dos moradores da cidade onde vive. Para acabar de uma vez por todas com a tristeza da população local, ele decide pôr fim ao mistério. A ficção é baseada na lenda da “Rasga Mortalha”, ave comum no interior do Brasil.

Jacaré e o Homem do Boi
Direção, roteiro e produção: Paulo Alexandre Coelho
Barroso – MG
Documentário: Uma emocionante história real da relação afetiva entre um homem e um animal, perpassando por amizade, causos, tradições, costumes e memórias que deixaram saudade no interior de Minas Gerais.

O que Resta da Imagem
Direção, roteiro e produção: Rafael Wolfgramm
Laranja da Terra – ES
Documentário: Entre os anos de 1930 e 1960, um fotógrafo fez os primeiros registros da vida dos pomeranos no interior do Espírito Santo. Suas imagens ainda ecoam nas lembranças dos moradores de uma vila, que contam suas histórias a partir desses registros. Nesse documentário, imagem é memória.

A Guerreira Gavião
Direção, roteiro e produção: Robson Messias
Bom Jesus do Tocantins – PA
Ficção: Após sonhos que se repetem, uma jovem decide buscar a verdade sobre o passado.

A Viagem de Seu Arlindo
Direção, roteiro e produção: Sheila Altoé
Vargem Alta – ES
Ficção: Na Comunidade Quilombola de Pedra Branca, nas montanhas capixabas, os mais velhos preservam a tradição de contar histórias para os mais jovens como a do dia em que o Seu Arlindo decide fazer uma misteriosa viagem, deixando intrigados os moradores da comunidade.

O que resta da imagem, de Rafael Wolfgramm | Foto: Ratão Diniz/Instituto Marlin Azul

Agenda de sessões

22/08/18 – Pedra Branca/Vargem Alta (ES)
23/08/18 – Vargem Alta (ES)
24/08/18 – Laranja da Terra (ES)
25/08/18 – Regência – Linhares (ES)
26/08/18 – São Mateus (ES)
29/08/18 – Urucuia (MG)
02/09/18 – Lençóis (BA)
04/09/18 – São José do Jacuípe (BA)
06/09/18 – Quebrangulo (AL)
08/09/18 – São Domingos do Cariri (PB)
10/09/18 – Icapuí (CE)
15/09/18 – Bom Jesus do Tocantins (PA)
16/09/18 – Aldeia Parkatejê/Bom Jesus do Tocantins (PA)
21/09/18 – Quilombo Lagoa da Pedra/Arraias (TO)
22/09/18 – Arraias (TO)
29/09/18 – Quilombo Mata Cavalo/Nossa Senhora do Livramento (MT)
03/10/18 – Guarujá do Sul (SC)
05/10/18 – Antônio Prado (RS)
09/10/18 – Águas de Lindóia (SP)
11/10/18 – Barroso (MG)

Geilane de Oliveira, diretora de O rio que não seca (BA) | Foto: Ratão Diniz/Instituto Marlin Azul

Revelando os Brasis

Criado em 2004, o Revelando os Brasis tem por objetivo geral promover a inclusão e a formação audiovisuais através do estímulo à produção de filmes. O projeto promove processos de iniciação audiovisual, oferecendo aos moradores das pequenas cidades a possibilidade de contar as suas próprias histórias por meio de filmes que retratem o seu universo simbólico.

O Revelando os Brasis é desenvolvido nas etapas de formação, produção e difusão. Na primeira fase é realizado o Concurso Nacional de Histórias direcionado aos moradores de cidades com até 20 mil habitantes. A última edição bateu o recorde de inscrições: foram recebidas 951 histórias de todos os cantos do país. Dos 5.568 municípios brasileiros, 3.924 têm até 20 mil habitantes, de acordo com dados do IBGE (2010).

Na segunda fase, é realizada a Oficina de Realização Audiovisual, no Rio de Janeiro, quando os autores das histórias selecionadas aprendem, com a orientação de profissionais renomados do cinema, todas as etapas de realização de um filme, incluindo noções sobre roteiro, produção, direção, som, fotografia, direção de arte, edição, comunicação e mobilização comunitária.

Na terceira fase, os autores retornam às suas cidades para a filmagem, com recursos e o acompanhamento técnico do projeto. Por meio de um processo de mobilização, familiares, vizinhos, amigos e artistas locais são estimulados a integrar as equipes, desempenhando funções artísticas, técnicas e de apoio. Após a gravação, os diretores seguem para a edição das obras.

A quarta fase é marcada pelo Circuito Nacional de Exibição. As obras são apresentadas em sessões abertas e gratuitas nas cidades selecionadas. Para completar o processo de difusão, todas os filmes, reunidos em um box de DVDs contendo ainda o making of do projeto, são distribuídos para bibliotecas, escolas públicas, universidades, pontos de culturas, cineclubes e instituições públicas ligados à educação e à cultura de todo o Brasil.

SERVIÇO
Revelando os Brasis Ano VI
Circuito Nacional de Exibição

De 22 de agosto a 11 de outubro
20 Sessões de cinema gratuitas e abertas em todo o Brasil
www.revelandoosbrasis.com.br