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Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi

(Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, EUA, 2019)
Gênero
Direção: Rian Johnson
Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Andy Serkis, Lupita Nyong’o, Domhnall Gleeson, Anthony Daniels, Gwendoline Christie, Kelly Marie Tran, Laura Dern, Benicio Del Toro, Frank Oz
Roteiro: Rian Johnson
Duração: 152 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi

É muito difícil voltar a um universo tão conhecido e tão amado como o de Star Wars. Isso já foi provado e comprovado por outras tentativas. A trilogia de George Lucas, o próprio criador do universo, lançada como prequel dos filmes clássicos foi um fracasso estrondoso. Após a compra dos diretos pela Disney, a tentativa de resgate com a sequência dos fatos, dirigida em seu primeiro episódio pelo queridinho das refilmagens de Sci-fi J.J. Abrams, embora muito melhor principalmente por ser quase uma refilmagem de Uma Nova Esperança, também não agradou muito os fãs. É aquela coisa: mexer em coisa querida é sempre um problema, há um afeto por parte dos fãs que sempre vai ser difícil de superar e isso vai vir em forma de resistência a novos personagens, desprezo por resgates de antigos e por aí vai.

Porém, O Despertar da Força conseguiu, de maneira muito sutil, diga-se, driblar um pouco essa resistência. Ao trazer Leia, Luke e Han de volta e vividos pelos próprios atores do passado, e tratar com muito cuidado a elaboração de personalidade de seus novos protagonistas Kylo Ren e Rey, abriu o caminho para uma possibilidade de trama, com novos personagens e eventos. A repetição de Abrams faz até efeito quando se pensa nessa intenção, pois não deixa de ser uma forma de trazer o público para um lugar que ele já conhece com novos personagens, facilitando assim a apresentação a eles.

Apresentados, coube a Ryan Johnson dar prosseguimento à luta da Resistência pela destruição do Império, que seguia se reerguendo, agora com o nome de Primeira Ordem. Diferentemente do anterior, Star Wars: Os Últimos Jedi é o mais ousado dos filmes da nova trilogia. Ainda que dependente e reverente ao universo em que está inserido, ele rompe com a metodologia narrativa que fora utilizada até aqui. Johnson vai busca uma elaboração que não faz parte do cinema até então apresentado. Ainda que haja uma atenção às cenas de ação, a final de contas, trata-se de Star Wars, há planos longos, tempos reflexivos, planos e contraplanos elaborados.

Além disso, o diretor consegue criar uma atmosfera além do filme que reafirma a força dos novos personagens, principalmente quando se fala da protagonista e do antagonista. Sem ser explícito e com interações inusitadas, prepara o público para um encontro potente, marcado não só pela coreografia das lutas e pela elaboração visual (num lindíssimo uso do vermelho), mas também pelo sentimento despertado.

Aliás, por falar em experiências estético sensoriais, o filme ainda faz um ótimo uso do espaço sideral como ambiente, com sua ausência de gravidade e de som, em cenas como a do sacrifício de Hodo. Às vezes, porém, e principalmente por conta de reviravoltas inadequadas do roteiro, escrito pelo próprio diretor, se perde nesse mesmo lugar. Que o diga a jedização tardia de Lea.

Ainda assim, Star Wars: Os Últimos Jedi é um filme delicioso por sua ousadia. Acessa toda a mitologia que foi semeada em 1977, entendendo-a e respeitando-a e cria em cima dela. Tem excessos, é claro, e contraria ao mexer em configurações canônicas, mas de toda a nova leva, é o que mais acerta justamente por querer trazer o novo. Ao deparar-se com uma história consolidada e amada por tantos, transita sem muito medo por suas novas escolhas e, ainda que se perca aqui e ali, acerta no final.

Mas, como nem todos estão abertos a mudanças, as alterações de Johnson sob a supervisão de Abrams não foram bem recebidas pelos adoradores da Força. Talvez as transformação dos tais cânones tenham falado mais alto do que a própria construção cinematográfica, ou talvez apenas não se queira uma nova história. Afinal de contas, o difícil, aqui, é mexer em tudo o que representa e significa a trilogia clássica. Um apego difícil de ser esquecido e muito menos superado.

E foi assim que, depois de muitas reclamações, a série chegou a Star Wars: Episódio X – A Ascensão Skywalker, uma confusão de retomadas e contrariedades que parece sempre mais interessada em agradar o público do que em contar uma boa história ou fazer cinema. Produção de algoritmo que lembra muito o rumo das telenovelas definido pelos pontos de audiência. Uma pena, porque Johnson tinha muito mais coisa a dizer.

Um Grande Momento:
A sala vermelha.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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