Crítica | Streaming

Sweet & Sour

Brincando com o comum

(새콤달콤, KOR, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia, Romance
  • Direção: Lee Gae-byeok
  • Roteiro: Lee Gae-byeok
  • Elenco: Jang Ki-yong, Chae Soo-bin, Krystal Jung, Lee Woo-je, Choi Hwan-yi
  • Duração: 101 minutos

Ah, os relacionamentos e seus caminhos comuns… Quando começamos a assistir a Sweet & Sour, principalmente depois de uma lida na sinopse, já temos certeza daquilo que veremos. Pois não é que esse exemplar despretensioso e ingênuo disponível na Netflix surpreende a gente? O longa sul-coreano fala, sim, da vida a dois, de paixão, convivência e rotina, e daquilo que ele prometeu falar, mas segue por um caminho curioso que traz graça e novidade à banalidade da vida.

O tom de comédia romântica está nos detalhes desde os primeiros momentos, no áudio coberto pelos créditos, na textura das imagens, na trilha e, claro, no modo como o casal se conhece. Embora a estrutura não siga a tradicional do gênero, e evite o conflito em um primeiro momento, o diretor Lee Gae-byeok não engana seus espectadores sobre o produto que quer entregar. Ele também define quem será o guia de sua história, embora haja Hyeun e Da-eun, seu foco é o lado masculino da história. 

Sweet & Sour

O roteiro de Sweet & Sour, inspirado no longa japonês Initiation Love, é dividido em três tempos: “Tênis Novos”, “Tênis Velhos” e “Dois Tênis”. Com uma estrutura bem amarrada, vai transformando sua história e dando a ela uma nova conotação. Ainda que fale de novas experiências, e aí assuma estruturas padronizadas do gênero, como a do encontro e posterior estranhamento, alcança pontos do relacionamento a dois, como tempo e a dificuldade de manter algo à distância.

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Gae-byeok faz questão de afastar suas histórias para definir a lógica do tempo, ainda que ela tenha mais a ver com desgaste do que com seu sentido literal. Nessa tradução perfeita do nome, do doce ao azedo, vai da paixão à falta de atenção, cuidado e carinho; da despedida efusiva de manhã à lâmpada não trocada; do primeiro olhar ao passeio sem sentido, da aliança à próxima experiência, ainda que pontue a tristeza pelo fim e a saudade. Tudo de maneira simples, filmando de forma elegante, mas sem grandes elaborações, já que não ambiciona ir muito além do produto de consumo rápido. 

Sweet & Sour

Sweet & Sour, que ainda conta com ótimas atuações, chega divertido à sua reviravolta final, ainda que pese a mão em uma definição repentina de seu protagonista para justificar certos eventos. Porém, é interessante ver como tudo foi se construindo — mesmo que haja um didatismo nessa explicação — e perceber as diferenças que o diretor deixa para quem estava mais atento aos detalhes. A ideia era essa mesmo, falar de relacionamentos e seus ciclos brincando, e sem a preocupação de marcar a vida de ninguém.

Um grande momento
A trombada

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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