Crítica | Streaming

Tratamento de Realeza

Passatempo sem ambições

(The Royal Treatment, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Rick Jacobson
  • Roteiro: Holly Hester
  • Elenco: Laura Marano, Mena Massoud, Preston Crayford, Jacque Drew, Cameron Rhodes, Jen Van Epps, Amanda Billing
  • Duração: 96 minutos

Sabem aqueles momentos onde só desejamos sonhar na frente da tela por uma hora e meia, sem preocupação e maiores elaborações? Desejando o mesmo público que suspirou e se divertiu em Um Príncipe em Minha Vida e O Diário da Princesa, a Netflix lança hoje Tratamento de Realeza, produção modesta e honesta em sua simplicidade, que atende um público específico (as jovens meninas adolescentes e sua família) sem abdicar de todo o resto, apenas entregando o que se espera da produção. Sem tentar inventar a roda e a bordo exatamente dos clichês que se espera em algo dessa natureza, não haveria muitos motivos para se aborrecer com o produto.

Rick Jacobson, o diretor da leve empreitada, tem um currículo curioso sob qualquer aspecto, mas que adicionado ao seu trabalho da hora, ganha um toque ainda mais curioso. Foram 20 anos de cinema brucutu na veia, daquelas produções mais ordinárias de ação e pancadaria dos anos 90, tendo dirigido astros do gênero, na linha de Michael Dudikoff. Como a comunicação entre uma coisa e outra conseguiu fazer sentido é uma aritmética complexa de realizar, mas Jacobson continua interessado em agradar o público com um produto de fácil assimilação e rapidez de mensagem, sem muito espaço para promover elaborações narrativas; é o básico em cena.

Tratamento de Realeza
Kirsty Griffin/Netflix

Nessa seara, o filme demora um pouco a se mostrar minimamente qualitativo, abrindo os primeiros 20 minutos com uma certa simplicidade excessiva, quase com um pé no simplório. Uma edição ligeiramente desleixada, com pouca preocupação em aparar as arestas de cenas e criar um timing de corte, além de um excesso de utilização de cenários artificiais para qualquer cena externa, com estúdios para representar qualquer mínima rua. Ao deslocar a ação para longe de Nova York, o filme perde um pouco essa falta de cuidado aparente para enfim criar algum mínimo material empático do espectador para com a obra, por mais vazia que seja.

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Chegando em Lavania, o reino fictício onde se passa a maior parte da narrativa, o filme se permite uma artificialidade estética que cabe naquele novo contexto, tendo em vista que agora trata-se de um reino muito muito distante, com espaços e regras tão arcaicas quanto exóticas; nesse quadro, os espaços, figurinos e situações soarem deslocadas, parece caber no todo. O filme também passa a então fazer sorrir com as personagens das amigas da protagonista, e o filme se encaminha para um lugar onde a cobrança não precisa ser feita, porque já entendemos a estrutura geral de despreocupação não apenas com o seu teor.

Tratamento de Realeza
Kirsty Griffin/Netflix

Existe correndo por fora uma tentativa de ambição em torno de uma mensagem, onde filhos devem suceder os pais e não ambicionar um lugar diferente no mundo; a obediência deve vir em primeiro lugar e não ser questionada. É algo forte a se abordar em uma comédia romântica de teor teen (ou ao menos jovem adulto), mas o filme não dá ênfase a esse conflito, preferindo não cruzar as questões idênticas de seus protagonistas, e perdendo a oportunidade de conseguir alguma camada para estofar o seu material bruto, e isso vindo de uma produção escrita e produzida por mulheres, que não perceberam o sensível por trás dessa questão exposta.

No protagonismo, Mena Massoud (de Aladdin) parece mais integrado ao projeto talvez porque seu personagem peça um certo deslocamento, tanto do seu próprio mundo quanto das coisas à sua volta, e mesmo as internas. Já Laura Marano (de Em Busca de Zoe), mais uma vez demonstra inabilidades dramáticas ou cômicas, e vaga pela produção quase se apoiando em qualquer coadjuvante, porque todos parecem mais bem preparados que ela. Por incrível que apareça, apesar disso tudo, Tratamento de Realeza consegue minimamente fazer passar o tempo com alguma graça, sempre escapando do desastre absoluto.

Um grande momento
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Francisco Carbone

Jornalista, crítico de cinema por acaso, amante da sala escura por opção; um cara que não consegue se decidir entre Limite e "Os Saltimbancos Trapalhões", entre Sharon Stone e Marisa Paredes... porque escolheu o Cinema.
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