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Tripla Ameaça

(Triple Threat, THA/CHN/EUA, 2019)
Ação
Direção: Jesse V. Johnson
Elenco: Tony Jaa , Tiger Hu Chen, Iko Uwais, Scott Adkins, Celina Jade, Michael Jai White, Michael Bisping, JeeJa Yanin, Dominiquie Vandenberg, Ron Smoorenburg, Monica Siu-Kei Mok
Roteiro: Joey O’Bryan, Fangjin Song, Paul Staheli
Duração: 96 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Tripla Ameaça

Tudo o que se vê no cinema de ação de hoje em dia vem diretamente de toda uma construção do gênero que remonta aos anos 1980. Explosões, tiros e lutas no tête-à-tête, assim em conjunto, ganharam uma força incrível com nomes como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme e, mais tardiamente, Jet Li. Não faltam aos roteiros da categoria repetições de temas e tramas, assim como não faltam aos filmes uma certa irrelevância à capacidade interpretativa de seus protagonistas.

Tripla Ameaça, dirigido por Jesse V. Johnson (O 5º Comando), não só se insere no gênero mas é completamente reverente a esse cinema do passado. E não se acanha em usar tudo o que foi feito antes em uma mesma história: um terrorista é resgatado de uma prisão do MI6 para comandar um grupo de mercenários que tem como objetivo eliminar uma herdeira chinesa militante pelo fim do crime organizado. A trama é articulada de modo a possibilitar inserções de marcos, de maneira forçada, mas quem se importa?

Tripla Ameaça (2019)

Tudo começa com o resgate. A tal prisão da agência britânica fica no meio de uma selva. Estamos de volta a Rambo, Comando para Matar e Braddock: O Super Comando. Ainda que não se entenda muito bem o que está acontecendo e tendo como informação apenas o letreiro explicativo, chovem explosões e tiros para todos os lados, temperados com rápidas cenas de luta.

Depois disso, com uma história de vingança pouco embasada, o filme vai parar nos ringues de lutas marciais, onde os guias da tal expedição tentam fazer dinheiro, e traz à lembrança filmes como Kickboxer: O Desafio do Dragão, O Grande Dragão Branco e tantos outros similares.

Tripla Ameaça (2019)

Para arrematar, cenários mais elaborados servem de palco para a trocas de tiros e lutas elaboradas, no melhor estilo O Mestre e A Luta do Dragão. Nada que pareça muito natural e afeito ao que liga uma coisa à outra. O roteiro se atrapalha com a vingança do cambojano Jaka, a apresentação esquisita da herdeira Xian Xian e a falta de objetivo claro da dupla Payu e Long Fei. Sem falar em outros personagens que surgem e vão embora, como o da jovem guarda-costas Su Feng.

Se é assim com o quarteto principal, imagine o que acontece com os vilões. Seguindo também a tradição do gênero, são completamente unidimensionais e entregues a situações aleatórias. A mandante do crime é de um vazio impressionante. Tudo dentro daquela padronagem perfeita para a construção de sparrings de luxo e heróis de ocasião.

Tripla Ameaça (2019)

Mesmo com tudo errado, Tripla Ameaça está adequado àquilo em que se inspira e quer homenagear, com muitos tiroteios, tocaias e perseguições. Em boas coreografias, o tailandês Tony Jaa (Ong-Bak – Guerreiro Sagrado) com seus muay thai, wushu e tai kwondo, e o chinês Tiger Hu Chen (Kung Fu Man) com seu kung fu fazem o filme se manter e não ser um desperdício completo de tempo. As cenas de luta são, sem dúvida, o que tem de melhor.

Daquilo que se salva, também é divertido – embora o humor não seja algo voluntário no filme – ver toda a dedicação de Iko Uwais (Star Wars: O Despertar da Força) ao seu personagem atrapalhado: aquele que jura vingança, faz tudo para realizá-la e, mesmo que tenha lá alguma habilidade com sillat, não consegue chegar a lugar algum com seus adversários.

Tripla Ameaça (2019)

No final das contas, Tripla Ameaça é um filme carregado de nostalgia por visitar a ação em tantos lugares e trejeitos já conhecidos. É muito equivocado e despreocupado com coerência, e funciona exclusivamente em volta das cenas que escolhe como as mais importantes. Não é nada fundamental à vida de ninguém e nem vai ficar na cabeça depois de visto, mas diverte.

Um Grande Momento:
O retorno de Payu.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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