Crítica | Streaming

Twist

Diversão passageira

(Twist, GBR, 2021)
Nota  
  • Gênero: Ação
  • Direção: Martin Owen
  • Roteiro: John Wrathall, Sally Collett, Matthew Parkhill, Michael Lindley, Tom Grass, Kevin Lehane, David T. Lynch, Keith Lynch, Simon Thomas
  • Elenco: Rafferty Law, Sophie Simnett, Lena Headey, Samuel Leakey, Sally Collett, Leigh Francis, Jade Alleyne, Rita Ora, Franz Drameh, Michael Caine, David Walliams, Noel Clarke, Jason Maza
  • Duração: 90 minutos

Das páginas de Charles Dickens surge essa versão modernizada de Oliver Twist. Imaginado-o já adolescente, e mantendo o peso da existência trágica, sem nunca chegar ao exagero fatídico das páginas do clássico, a trama encontra uma agilidade bem-vinda para os novos públicos. Por trás de muitos grafites e manobras de parkour, o enredo traz o sempre atraente jogo de gato e rato característico de filmes de assalto, aqui com obras de arte, planos mirabolantes, fugas e traições.

Coproduzido pela Red Bull, o filme deixa clara a sua intenção de destacar a modalidade criada na França que permite a  superação de obstáculos apenas com as capacidades do corpo humano. Presença constante em filme de ações recentes e, inclusive, foco em algumas produções, como No Limite, é ele que desperta a curiosidade dos “olheiros” de Fagin.

Twist (2021)

Se ambientação, época e métodos de fuga diferenciam o filme, a estrutura de Twist é bem próxima da história de Dickens. Partindo de uma ideia original de Simon Thomas e dos irmãos Lynch (de Reféns do Jogo), o roteiro de Sally Collett e John Wrathall usa da estrutura dos jovens perdidos que servem ao marginal para seus roubos, mantendo inclusive os personagens, ainda que crie novas ligações, troque gêneros sexuais e possibilite outros destinos. 

O elenco traz uma graça adicional ao filme com o veterano Michael Caine (de Regras da Vida) como Fagin e Lena Headey (de Game of Thrones) como Sikes. A gangue, tem lá o seu desequilíbrio pela falta de experiência, mas não faz feio. Nela se destacam Sophie Simnett, uma mais bem afortunada Red; Franz Drameh como Batesy, e a cantora e atriz Rita Ora como Dodge, já o papel de Twist é de Rafferty Law, filho de Jude. Essa mistura representa bem o que é o filme.

Twist (2021)

O diretor Martin Owen, dono de uma filmografia de gosto duvidoso composta por títulos como L.A. Slasher, Let’s Be Evil e Assassinos Anônimos, quer brincar com as diferenças. O clássico e o novo, o experiente e o inexistente, o rebuscado e o coloquial. Em Twist, ora acerta, ora erra, mas consegue compor um conjunto interessante, que traz o espectador para dentro de sua brincadeira. O partir do pobre menino sozinho e rejeitado retratado no clássico e enredá-lo numa trama divertida de planos e fugas funciona.

Ainda que não haja uma grande elaboração, os furos sejam muitos e a dedicação não dure muito mais do que os 90 minutos do filme, aquilo que se vê é um bom passatempo. Leve e divertido, com uma trilha musical que mistura de tudo: rock alternativo, indie, rap, electropop, jazz e mais; ação ansiosa e uma história bonitinha perdida ali no meio, Twist atrai o público que queria atingir e que, atualmente, está preso em casa e precisa de títulos assim. Descartável, mas divertido.

Um grande momento
A multa de trânsito

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo