Crítica | Streaming

Um Jogo Entre Amigos

Jumanji para maiores

(Gatlopp, EUA, 2022)
Nota  
  • Gênero: Terror
  • Direção: Alberto Belli
  • Roteiro: Jim Mahoney
  • Elenco: Jim Mahoney, Emmy Raver-Lampman, Jon Bass, Sarunas J. Jackson, Shelley Hennig, John Ales, Amy Davidson
  • Duração: 80 minutos

Em 1995, um monte de gente ficou vidrado com um grupo de crianças que achou um jogo antigo e, depois de resolver jogá-lo, ficava preso na aventura que estava ali no tabuleiro. O filme família era Jumanji, que chegou a ter uma versão futurista espacial e anos depois ganhou uma franquia modernosa com adaptação com cartuchos de videogame. Um Jogo Entre Amigos, disponível na HBO Max, não tem nada a ver com jogo de antes e nem com o filme dirigido por Joe Johnston lá atrás, mas é impossível não lembrar dele. Com o retorno do hábito de reunir os amigos em torno de um tabuleiro, é como se fosse uma versão adulta da aventura.

Aqui, tudo gira em torno de um daqueles jogos etílicos onde quem não acerta bebe, mas não só a pessoa, ou seja, já de partida, a gente sabe que a coisa pode dar errado. E o tabuleiro, assim como esperado, assume vida própria e se adapta à realidade daquele que os jogam, moldando as perguntas e as ações ao passado dos jogadores. Eles são Paul, Sam, Cliff e Troy, amigos de longa data com complexidades individuais e algumas conhecidas e outras inesperadas.

Nada é muito complicado no filme dirigido por Alberto Belli, que já se aventurou em alguns episódios do brega e divertidíssimo seriado A Casa das Flores. É nítido que sua intenção com Um Jogo Entre Amigos é se divertir, seja estéticamente, nas transições de cenas ou uso de grafismos, quando apresenta seus personagens, quanto no prórprio desenvolvimento do roteiro. Há uma certa irregularidade e repetição, mas a leveza e a diversão das passagens, principalmente depois que o jogo começa a “esquentar” fazem com que isso não seja tão grave.

Apoie o Cenas
Um Jogo Entre Adultos
XYZ Films

A diversão também se percebe no set, no trabalho dos atores Jim Mahoney, Emmy Raver-Lampman, Jon Bass e Sarunas J. Jackson que encontram uma conexão e funcionam como os amigos presos na brincadeira, com espaço para desenvolver suas características individuais, ainda que em alguns momentos o roteiro não ajude muito. Algumas tentativas de ir além das suas personas, naquele artífico batido de troca de corpo, por exemplo, estão ali desnecessariamente e duram muito mais do que precisavam.

Mahoney tem duplo envolvimento, já que é o criador da história e o responsável pelo roteiro. Daí talvez se explique a maior importância que dá a seu personagem. Ele funciona como uma espécie de guia principal da história e existe um desequiíbrio de carisma, já que outras tramas envolvem mais do que seu coração quebrado por Alice, mas como esta tem uma função de ligação, isso se desculpa.

Lembrando de longe um filme querido e aproveitando para trazer à cena um hábito que nunca deixou de ter o seu charme e anda ganhando cada vez mais adeptos, Um Jogo Entre Espiões segue divertido, provocando risadas ocasionais e cumprindo seu objetivo finalo: entregar 80 minutos de entretenimento rápido, sem que seja preciso pensar demais.

Um grande momento
Claire Sullivan

Curte as críticas do Cenas? Apoie o site!

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo