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Verão 1993

(Estiu 1993, ESP, 2017)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Carla Simón
  • Roteiro: Carla Simón
  • Elenco: Laia Artigas, Bruna Cusí, Paula Robles, David Verdaguer, Fermí Reixach, Montse Sanz, Isabel Rocatti, Berta Pipó
  • Duração: 97 minutos

Frida é uma garota de seis anos de idade, que fica órfã, após a morte dos pais. Com a impossibilidade dos avós de continuarem cuidando da criança, ela acaba se mudando de Barcelona com os tios para o interior da Espanha. Esse é o pano de fundo de Verão 1993, primeiro longa-metragem de Carla Simón, que conta como a criança enfrenta o luto através do seu olhar infantil.

O filme é inspirado na própria vida da diretora. Simón perdeu os pais vítima de uma doença que assombrava o mundo no começo da década de 90: a AIDS. Assim como a protagonista do filme, ela foi adotada pelos seus tios e foi morar no interior. Sua memória afetiva da época foi utilizada para escrever o roteiro desse longa autobiográfico, que acabou sendo o escolhido como representante espanhol para a categoria de Filme Estrangeiro, no Oscar de 2018.

Verão 1993

Os olhos de Frida nos conduzem para o que poderiam ser dias comuns na vida de uma menina. Mas no caso dela, as brincadeiras com a prima, a convivência com os tios e as visitas dos avós são sempre carregados da sensação de falta e de não pertencimento. Talvez por isso, ela se comporte de forma a chamar atenção dos adultos, cenas em que ela faz birra ou se exibe exageradamente, mostram a vontade de receber o carinho e afeto que ela imagina ter perdido com o falecimento dos pais. Do outro lado, há os adultos e a exaustão em lidar com o comportamento e também a inaptidão para ajudá-la com o seu luto.

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Por mais que exista uma dor guardada dentro de Frida, sua infância é cheia de elementos tradicionais do período: brincadeiras, festas, passeios a parques, risos e momentos em família. Há muita sensibilidade em retratar essa busca pelo amor por parte da menina. Simón conduz com habilidade a história, não permitindo cair em excessos dramáticos, o que acaba dando a Verão 1993 uma leveza, um colorido, mesmo diante da sensação de abandono existente em muitos momentos.

Verão 1993

A responsável pela alma do filme atende pelo nome de Laia Artigas. A atriz mirim faz um trabalho encantador. Ela está presente em praticamente todas as cenas e consegue transmitir com muita autenticidade todo turbilhão de sentimentos que a pequena Frida carrega dentro de si. É difícil não se emocionar com as cenas nas quais ela permite que sua fragilidade venha à tona, estas muito bem construídas e dirigidas, sem nada fora do tom.

A boa modulação das cenas é um dos grandes trunfos de Verão 1993. Uma história com um tema difícil de lidar, como o luto infantil, mas que se mostra um filme acolhedor,  lindíssimo de se assistir e principalmente de se sentir. 

Um grande momento
O choro

Mila Ramos

“Soteropaulistana”, publicitária, amante das artes, tecnologia e sorvete de chocolate. O amor pela Sétima Arte nasceu ainda criança, quando o seu pai a convidava para assistir ao Corujão nas noites insones. Apaixona-se todos os dias e acredita que o cinema é capaz de nos transportar a lugares nunca antes visitados. Escreve também no Cartões de viagens imaginárias.
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