(The Autopsy of Jane Doe, GBR/EUA, 2016)
Terror
Direção: André Øvredal
Elenco: Brian Cox, Emile Hirsch, Ophelia Lovibond, Michael McElhatton, Olwen Catherine Kelly, Jane Perry,
Roteiro: Ian B. Goldberg, Richard Naing
Duração: 86 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Há um crença, errônea, de que fazer cinema de horror é algo fácil. Gênero bastante popular entre os mais jovens, o terror ganha anualmente uma quantidade significativa de novos filmes. A grande maioria das produçoẽs, porém, são preguiçosas e seguem a tendência da facilidade, apegada a sustos e sangue, o que os faz durar muito pouco tempo na cabeça de quem o assiste..

A Autópsia segue um caminho diferente. Sem se desfazer dos sustos, consegue criar uma tensão eficiente e, apesar da história batida que conta, deixa sua marca. Minimalista, não precisa de muita coisa além de um cadáver deitado em uma mesa de autópsia e de dois médicos legistas, aqui pai e filho.

Tudo começa no encerramento dos trabalhos do dia, quando o necrotério familiar de Tommy recebe o corpo de uma jovem que fora encontrado intacto no porão de uma casa onde houve uma série de assassinatos brutais. O cadáver apresenta sinais de conservação que alternavam com outros de decomposição avançada e recebe o nome provisório de Jane Doe (como no título original), denominação usada pela polícia quando não conhece a identidade de alguém, algo como Maria Ninguém.

Sem grandes elaborações no roteiro, é nas incongruências do estado do corpo, no mistério de onde foi encontrado, e em uma boa série de silêncios, imobilidades e sustos que o filme vai construindo seu ritmo, bastante eficiente para o gênero. A intimidade de André Øvredal com o fantástico – em 2010, ele chamou a atenção com o longa-metragem O Caçador de Troll – ajuda e faz com que elementos referenciais convivam bem com a introdução de elementos mais modernos.

Brian Cox e Emile Hirsch são os rostos conhecidos do filme e, quase absolutos em cena, estão bem com os papéis de pai e filho, mas nada que exija muito da capacidade interpretativa dos dois. Quem chama mesmo a atenção é Olwen Catherine Kelly, o cadáver, que, sim, permanece estático durante todo o filme. Aquela presença é um dos pontos para criação do clima estranho do filme.

Porém, por mais que consiga criar o clima e modernize – a sua maneira – um terror já visto antes, A Autópsia não mantém o fôlego até o final. O desenvolvimento da história é falho e há uma perda significativa na construção do clímax.

Mas nada que impeça a diversão daqueles que gostam do gênero, e nem sempre conseguem encontrar filmes curiosos e eficientes. No mínimo, uma boa diversão.

Um Grande Momento:
O sino.

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