Crítica | Streaming

A Barraca do Beijo 3

Ciúme como muleta

(The Kissing Booth 3, GBR, EUA, 2021)
Nota  
  • Gênero: Romance
  • Direção: Vince Marcello
  • Roteiro: Vince Marcello, Jay S Arnold
  • Elenco: Joey King, Joel Courtney, Jacob Elordi, Molly Ringwald, Taylor Zakhar Perez, Maisie Richardson-Sellers, Meganne Young, Stephen Jennings, Carson White, Morné Visser, Bianca Amato
  • Duração: 112 minutos

Estamos de volta ao universo de Elle, Lee e Noah, o trio que conquistou o coração dos jovens espectadores da Netflix. Seguindo com os eventos dos filmes anteriores, a questão da escolha das universidades ainda é o que atormenta a protagonista, se ela fica com o namorado ou com o melhor amigo. O filme começa com uma viagem dos três e Rachel, a nova namorada de Lee, antes do fim das férias de verão. O diretor Vince Marcello, dos filmes anteriores, faz isso para trazer a história de volta, o que funciona muito bem.

Agora o centro da narrativa é a casa de praia da família Flynn. Como o longa sai do ambiente escolar, ele ganha um ar um pouco mais maduro, que é acompanhado pela estética, com uma arte elaborada, quadros mais cuidados e algumas canções clássicas como ”Welcome Home, Son” e “God Only Knows”. O filme chega até a ter momentos surpreendentes, e Marcello supera as expectativas quando demonstra graficamente o passado de Elle e Lee na despedida dos dois.

A Barraca do Beijo 3
© Marcos Cruz / Netflix

Porém, embora traga alguma evolução, A Barraca do Beijo 3 ainda tem muita coisa daquilo que marcou a franquia. Os diálogos ainda são marcados pelo texto fraco; o off de Elle ainda é insistentemente ouvido; as tais regras são sempre impressas na tela e avisadas; e a trama não é lá das mais originais. Depois que a decisão da universidade é tomada, surge um novo amigo para Lee; Marco e Chloe reaparecem do nada; e o Sr. Evans ainda arruma uma namorada. Ou seja, tudo o que acontece no filme é guiado pelo ciúme, o que é bem raso.

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Ainda assim, há sempre algo que dá agilidade à trama e isso é a “Lista do Melhor Verão” que Lee e Elle fizeram na infância, divertida não só pelos itens, mas pelo modo frenético como é apresentada. Com cortes rápidos e polaroides, o longa transita entre as insanidades dos dois amigos, voltando às cores vivas e a uma agitação que a trama abandona quando se entrega ao drama. Dentre todas as tarefas, a mais divertida faz referência a um jogo de videogame, pena que volte a essa bobagem fácil falada antes.

A Barraca do Beijo
© Marcos Cruz / Netflix

Alternando entre romance, comédia e drama, A Barraca do Beijo 3 fala sobre o amadurecimento dos personagens e sobre fechamento de ciclos e despedidas, tanto para aqueles que vivem a história como para os que a acompanharam. A franquia pode ter muitos pontos fracos, assim como este filme em específico — bem superior aos anteriores, diga-se –, mas o que Joey King, Joel Courtney, Jacob Elordi criaram nesse tempo, e a graça com que construíram seus personagens vai ficar marcado para os fãs.

Estes, inclusive, vão adorar assistir aos créditos com erros de gravações e brincadeiras de todos os três filmes. 

Um grande momento
A despedida de Lee e Elle

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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