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A Bela e a Fera

(Beauty and the Beast, EUA, 2017)

  • Gênero: Fantasia
  • Direção: Bill Condon
  • Roteiro: Jeanne-Marie Leprince de Beaumont (conto de fadas), Stephen Chbosky, Evan Spiliotopoulos
  • Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Josh Gad, Kevin Kline, Ewan McGregor, Ian McKellen, Emma Thompson
  • Duração: 129 minutos
  • Nota:

Vou ter que começar esse texto pedindo licença ao leitor para contar a minha história com A Bela e a Fera da Disney, aquela lá de trás, a animação. Eu tinha 18 anos e uma filha de seis meses quando o filme estreou nos cinemas brasileiros. Resumindo, foi o primeiro filme que vi com ela – que não atrapalhou a sessão de ninguém – numa sala de cinema.

Além disso, era seu filme favorito quando começamos a montar sua filmoteca, com fitas de VHS ainda. Ela via sem parar, num rebobinar e recomeçar infinito. Sabíamos as músicas e as falas decor, e vimos a versão teatral, on ice, musical. Ou seja, são 25 anos de A Bela e a Fera da Disney nessa história.

Obviamente, tudo isso compromete, muito, a minha avaliação do filme em live-action lançado agora pelo estúdio. Podia ter dado muito errado e ter virado uma grande frustração, como os primeiros trailers deram a entender, ou podia ter conseguido despertar a nostalgia de tudo isso aí de cima e fazer da experiência algo muito especial. Foi isto que aconteceu.

Emma Watson na versão live-action de A Bela e a Fera (2017), da Disney

Vou tentar aqui distanciar tudo isso para falar do filme, mas avisando, de antemão, que posso fracassar aqui e ali, pois o filme que vi tem toda essa carga emocional que é impossível de ser ignorada.

Bastante fiel à animação de 1991, com inclusões pontuais de sequências do musical da Broadway e trechos mais próximos ao conto de Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, o longa-metragem é o tipo de produto pensado e produzido para fãs. Figurinos, cenografia e canções trazem o desenho de volta à mente do público instantaneamente.

Atualizações e mudanças inseridas vieram para somar. Não há mais uma raça única em tela e nem mesmo uma única orientação sexual. Bela, que já era uma mulher forte no desenho, está ainda mais empoderada aqui.

Luke Evans e Josh Gad na versão live-action de A Bela e a Fera (2017), da Disney

Porém, nas alterações estão também os problemas. Há uma tentativa de construir uma nova personagem de destaque, que não funciona e não faz muito sentido quando se analisa a fundo sua função na trama. Mas não é nada que possa ser falado sem espalhar spoiler da única parte ainda não vista do filme.

A Bela e a Fera consegue atingir o seu principal objetivo: usar a magia de seu antecessor e toda sua carga nostálgica para envolver aqueles que já conhecem a animação. Bela, aquela figura já íntima do público, que não se adequa à cidade pequena onde vive e quer começar a viver, agora está ali em carne e osso, sendo ainda diferente e ousada para seu tempo.

Há toda uma metáfora de rito de passagem por trás da história, assim como uma confrontação implícita dos papéis e lugares da mulher, como dona de seu destino e fazedora de sua sorte. E é justamente aí que está a força do conto animado, que chega ainda mais incisivo em sua versão em live action.

Versão live-action de A Bela e a Fera (2017), da Disney

O característico cuidado da Disney com todos os detalhes de suas adaptações pode ser percebido com clareza. Emma Watson está muito bem como Bela, com uma atuação discreta e ao mesmo tempo convincente, o que também pode ser dito do príncipe, que tem a seu favor o fato de não depender tanto de suas expressões faciais. o filme conta ainda com as vozes, pelo menos em maior parte do tempo, de Ewan McGregor, Ian McKellen e Emma Thompson somando ao resultado final.

Porém, quem chama mesmo a atenção e a dupla Luke Evans, como Gaston, e Josh Gad, como LeFou. Gad, embora seja o menos conhecido do elenco, é experiente em musicais e recentemente dublou Olaf, o boneco de neve do sucesso Frozen. Seu LeFou é uma das melhores coisa da adaptação.

No mais, A Bela e a Fera é pura nostalgia e deleite para os que já têm uma história com o filme e vão, com certeza, se emocionar com o que veem. Pelo menos é o que eu, completamente comprometida para me posicionar, acho. Ou seja, nada que possa ser levado em tanta consideração assim.

Um Grande Momento:
Evermore.

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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