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A Gente

(A Gente, BRA, 2013)

Documentário
Direção: Aly Muritiba
Roteiro: Aly Muritiba
Duração: 89 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Depois de conquistar o público com os curtas-metragens A Fábrica e Pátio, o diretor baiano radicado em Curitiba, Aly Muritiba encerra sua trilogia do cárcere com o longa A Gente. Voltado para os servidores do sistema prisional, o filme, uma mistura de documentário e ficção, se baseia no período em que o agente penitenciário Jeferon Walkiu assume o cargo de inspetor do presídio.

Tendo como pano de fundo o sistema prisional do Paraná, tido como referência, A Gente demonstra a falência de um sistema que não tem mais como se manter inalterado. Burocracia e descaso minam o trabalho diário de diversas pessoas que realmente acreditam na profissão que escolheram.

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Muritiba demonstra com seu filme os dois lados de seu protagonista. Um homem que se dedica da mesma maneira a seu trabalho e a sua fé. Talvez seja na exposição da vida como pastor que o longa enfrente o seu maior problema, uma vez que existe muito mais na vida daquele homem do que a dedicação religiosa, e o resultado possa parecer tendencioso a um caminho que o filme não tem nenhuma intenção de seguir.

Porém, nada abala a força das imagens dentro da instituição prisional. Pequenos detalhes de cena, como a falta de ferramentas no quadro de chaves fixas que aparece no fundo do plano, e diálogos absurdos, como o da falta de chaves de algemas ou da busca de voluntários para ficar junto aos policiais militares nas guaritas externas, vão demonstrando um descaso do governo com a manutenção de um sistema que poucos resultados apresenta.

Mesmo que não seja perfeito, a boa fotografia, assinada pelo próprio diretor, agente penitenciário que pediu reintegração no cargo para realizar o filme, e uma montagem correta, que separa a ação de Walkiu frente ao presídio em módulos definidos pelo muito usado Código Internacional Q, despertam a curiosidade do espectador para acompanhar o cotidiano dentro da cadeia. A intimidade do diretor com os personagens do filme, uma vez que ele trabalhou naquela equipe por sete anos, também ajuda o resultado final.

O que fica é a sensação de um problema sem solução. Se o que vemos na tela é o estado onde o sistema prisional é referência, imagine nos locais onde ele é sabidamente pior. Está quase tudo errado e o que existe hoje só não virou um caos absoluto graças à boa vontade de alguns. Pelo lado dos que mandam, do governo, porém, parece não haver qualquer vontade de que esta realidade mude. Triste, para dizer o mínimo.

Um Grande Momento:
A conversa das chaves de algemas.

A-gente_cena

Links

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=cQz1z-t0j7s[/youtube]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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