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A política da vida na Supo Mungam Plus

Dois filmes que trazem a política para o cotidiano de todos chegam essa semana na plataforma Supo Mungam Plus. Seja nas relações de trabalho ou na própria constituição social, Em Guerra e Assim Que Abro Meus Olhos, respectivamente, buscam no individuo a representação desse confronto com o todo.

Laurent, em atuação inspirada de Vincent Lindon, luta contra o fechamento da fábrica onde trabalha e da demissão de mais de mil funcionários, luta, portanto, contra o capitalismo ali nominado. O diretor Stéphane Brizé assume o tom da briga. Em Guerra é um filme tenso, nervoso, cheio de improviso e muito próximo do real.

Assim que Abro Meus Olhos, de Leyla Bouzid

Assim Que Abro Meus Olhos se volta a questões mais íntimas, mas igualmente tomadas como questões públicas e políticas, afinal de contas, a individualidade das mulheres até hoje não é levada à sério. No caso, às vésperas da primavera árabe, a jovem Farah não enfrenta apenas seus pais que querem vê-la médica, ao contrário de seu desejo de se tornar roqueira e ganhar o mundo.

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Por trás de tudo, há toda uma sociedade ultraconservadora que não permite mudanças e que deixou suas marcas na família. É quando aposta na cicatriz deixada pelo sistema que a diretora Leyla Bouzid acerta, pois transforma o seu filme eu algo muito maior do que apenas mais um dos que abordam conflitos de gerações e alcança um outro lugar.

Sobre os filmes

Em Guerra, de Stéphane Brizé (França, 2018), com Vincent Lindon.

Apesar de grandes sacrifícios financeiros por parte de seus funcionários e lucros recordes no ano, a administração das Indústrias Perrin decide fechar uma de suas fábricas. Os 1.100 funcionários, liderados por seu porta-voz Laurent Amédéo, decidem lutar contra essa decisão brutal, prontos para fazerem de tudo para salvarem seus empregos.

Seleção Oficial do Festival de Cannes. Prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Chicago. Indicado ao Prêmio Lumière de Melhor Ator.

Assim Que Abro Meus Olhos, de Leyla Bouzid (Tunísia/França, 2015), com Baya Medhaffar, Ghalia Benali, Montassar Ayari, Aymen Omrani e Deena Abdelwahed.

Túnis, verão de 2010, poucos meses antes da Primavera Árabe. Farah tem 18 anos e está recém-formada, mas sua família já a vê como uma futura médica. Ela, no entanto, não pensa da mesma forma e tem como atividade preferida cantar em uma banda de rock engajada, com músicas que abordam temas políticos. Seu único plano no momento é aproveitar a vida intensamente, beber, descobrir amores e sua própria cidade durante a noite. Tudo isso contra a vontade de sua mãe Hayet, uma mulher que conhece muito bem a Tunísia e os seus perigos.

Prêmio do Público no Giornate degli Autori do Festival de Veneza e Indicado ao Prêmio Lumière de Melhor Filme Francófono Internacional e de Atriz Revelação

Sobre a Supo Mungam Plus

A Supo Mungam Plus, é uma plataforma brasileira de streaming focada no cinema independente e autoral disponível em todo Brasil.

Clique para saber mais.

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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