Crítica | Outras metragens

A Queda

(The Fall, GBR, 2019)

  • Gênero: Ficção
  • Direção: Jonathan Glazer
  • Roteiro: Jonathan Glazer
  • Elenco: Susanne Brown, Lee Byford, Christopher Jupp
  • Duração: 7 minutos
  • Nota:

Vá então, há outros mundos além deste

Stephen King

É no inusitado que A Queda se estabelece. Brincando com o desconhecido e o bizarro, Jonathan Glazer, diretor do bom Sob a Pele, constrói seu universo sombrio e toca naquele ponto de como aquilo que não se conhece é capaz de despertar o horror e de como o ser humano não consegue parar de olhar para ele. É interessante como ele faz isso partindo de um lugar comum.

Ao longe, uma árvore se mexe no meio das outras, ao procurar o motivo desse movimento, encontra-se um grupo de pessoas que querem derrubar o que está em cima dela. Todo trabalhado no marrom e contando com a escuridão da noite, o curta acha a atmosfera perfeita para que aqueles seres se apresentem.

A Queda (2019), de Jonathan Glazer

Glazer brinca com os signos: a variedade das máscaras, as roupas antiquadas, a disposição do grupo em torno daquele que será punido. Aquela sociedade repressora se deleita com a execução de um igual, e quem assiste ao filme não consegue parar de olhar com uma curiosidade mórbida.

A câmera de Tom Debenham assume o voyeurismo dos personagens e destaca o sofrimento e o medo do sentenciado, e ao mesmo tempo o regozijo e a fixação dos sentenciadores. A trilha sonora intensifica a experiência e transforma tudo numa fábula surreal, onde o injusto não prospera.

A Queda (2019), de Jonathan Glazer

A Queda é potente em sua estética elaborada, no modo como tudo é calculado para despertar tensões e emoções. Ao mesmo tempo é uma experiência que, ainda que dúbia, ri da cara de todos. Aquele universo bizarro vem recheado de uma consciência do humano muito próxima do real. É irônico, e, como H. P. Lovecraft já dizia, raramente inexiste ironia, mesmo no maior dos horrores.

Um grande momento
A queda.

[31º Kinoforum]

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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