Crítica | Catálogo

A Verdade em Segredo

(An Acceptable Loss, EUA, 2018)
Suspense
Direção: Joe Chappelle
Elenco: Tika Sumpter, Jamie Lee Curtis, Ben Tavassoli, Jeff Hephner, Deanna Dunagan, Alex Weisman, Ali Burch, Clarke Peters, David Eigenberg
Roteiro: Joe Chappelle
Duração: 102 min.
Nota: 3 ★★★☆☆☆☆☆☆☆

Nada que se encontra estruturalmente em A Verdade em Segredo, suspense dirigido por Joe Chappelle (Fantasmas), é diferente de muitos outros títulos do gênero que se veem por aí. Toda a construção narrativa e estética, que opta pela não linearidade, segue uma lógica batida de construção de suspense que, prejudicada por outros elementos, não provoca aquilo que um thriller deveria provocar.

O melhor de A Verdade em Segredo está por trás de suas elaborações, no argumento, momento que antecede a concepção final da história. A ideia de descaracterização daqueles que sempre são tidos como bons moços e a indicação do potencial arbitrário, com um caminho que envolveria pretensões políticas e preconceito, ou a facilidade de culpabilização, é bastante interessante, mas não sobrevive ao seu próprio desenvolvimento.

A trama é guiada por Libby, uma assessora da vice-presidente, que está tentando recomeçar a vida como professora de uma universidade. Logo no começo o encontro com um dos alunos indica o que seria o estopim do suspense e que vai se transformando à medida que a história vai se completando com muitos flashbacks e conversas explicativas.

O filme até tenta encontrar uma certa elaboração estética, com planos cuidadosos e uma atenção especial à luz. O que se imprime na tela, pela lente da diretora de fotografia Petra Korner (Doidão), porém, nem sempre está em consonância com aquilo que o filme requer. No mais, não há nada no longa-metragem que se diferencia de outras repetições experimentadas com outros títulos ou o destaque de alguma maneira.

Para piorar, é difícil ignorar o desacerto de Tika Sumpter com o papel que desenvolve. Ela, que viveu a ex-primeira-dama Michelle Obama em Michelle e Obama, aqui parece perdida. Quando precisa mostrar algum desconforto, como com um novo lugar ou se preparando para encontrar um grande número de pessoas, falta profundidade em sua interpretação. A falta de jeito enfraquece bastante a personagem, que é fundamental para que a trama se realize.

Ben Tavassoli (Operação Overlord) acompanha Sumpter na imprecisão e consegue ter ainda menos carisma do que ela. Das participações satélites, só três são dignas de nota: a de Jeff Hephner (Interestelar), tão fraca quanto; a de Alex Weisman (Black Box), com um personagem tão abandonado pelo roteiro que não poderia mostrar grandes coisas, e a de Jamie Lee Curtis (Entre Facas e Segredos), que dá um banho em todos com sua vice-presidente, mesmo com toda canastrice que vem junto com o papel.

Ainda que tenha uma boa história por trás, A Verdade em Segredo é um filme que não conseguiu se desenvolver a contento. Utiliza-se de velhas formas e traz elementos batidos achando que isso seria o suficiente para que sua tensão se realizasse, mas se perde de tal forma que não consegue elaborar tudo aquilo que queria contar.

Um Grande Momento:
Mengele

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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