Am I a Bad Person?, curta escrito, dirigido e protagonizado por Alanna Longo, encontra seu humor em um desconforto: É difícil enxergar a si mesma. Claire chega à festa de aniversário da mãe confiante de que tem tudo sob controle. Lá, descobre que a celebração é, na verdade, uma intervenção organizada por familiares e vê sua confiança desaparecer.
A premissa poderia conduzir o filme para o constrangimento puro, mas Longo está mais interessada nas histórias que contamos para nós mesmos. Claire é alcoólatra, todos ao seu redor sabem disso e a reunião existe justamente para confrontá-la com uma realidade que ela não quer aceitar. Durante 13 minutos acompanhamos o choque entre duas versões da personagem: aquela que ela construiu para si e aquela que as outras pessoas conhecem.
Essas duas realidades tornam a situação engraçada, mas também dolorosa. A intervenção, ritual frequentemente associado a momentos de grande carga emocional, acaba revelando pequenas vaidades, mecanismos de defesa e racionalizações de fácil identificação pelo espectador. Claire tenta negociar, minimizar, mudar de assunto e recuperar o controle da narrativa. Porém, quanto mais insiste, mais evidente se torna a distância entre sua percepção e a dos demais.
A diretora demonstra boa sensibilidade para equilibrar humor e vulnerabilidade, sem deixar que o filme transforme sua protagonista em objeto de ridicularização. Pelo contrário, existe um carinho perceptível por aquela mulher que, apesar de todos os sinais em contrário, continua procurando argumentos para acreditar que não fez nada tão grave assim. Mesmo que a dúvida ecoe ao longo da narrativa, quando a pergunta do título é feita literalmente, entende-se que aquela é uma tentativa desesperada de encontrar uma justificativa confortável para comportamentos que já não podem ser ignorados.
Sem tratar o vício explicitamente e com diálogos afiados, Am I a Bad Person? acha uma maneira divertida de abordar um tema delicado, sem ignorar a humanidade de seus personagens. Entre o riso e o desconforto, o curta lembra o quão difícil é admitir quem somos e mais ainda convencer os outros da imagem que gostaríamos de projetar.
Um grande momento
Abrindo a porta do carro


