Crítica | Streaming

Amores Modernos

A arte de estar junto

(Amores modernos, MEX, 2019)
Nota  
  • Gênero: Drama
  • Direção: Matias Meyer
  • Roteiro: Maria Camila Arias, Edgar Chias, Matias Meyer
  • Elenco: Andrés Almeida, Leonardo Ortizgris , Ilse Salas, Raúl Briones, María Evoli, Luis Alberti, Mónica del Carmen, Ludwika Paleta
  • Duração: 83 minutos

Amores Moderno começa com uma cena pouco vista no cinema, um casal de idosos octagenário faz sexo ardentemente. O que era belo, porém, vem com a esperada “punição” com a morte da mulher, mas é esse acontecimento que dá a partida para uma trama de encontros e que traz à tela vários tipos de amor além daquele que abre o filme do diretor mexicano Matias Meyer. Logo no enterro, define-se a história principal, de Carlos, vivido por Andrés Almeida (Compulsion); Alex, papel de Leonardo Ortizgris (Museu); e Rócio, Ilse Salas (Cantinflas), que além de ter suas próprias questões a resolver, darão margem para que outras possam ter o seu lugar.

O roteiro, assinado a seis mãos pelo diretor e por Maria Camila Arias e Edgar Chias, alterna entre o drama e a comédia e conquista o espectador pela simplicidade com que se aproxima dos personagens e o modo descomplicado com que estabelece as conexões entre eles. O trio principal, por mais diverso que seja, tem uma inegável química e o modo como eles se conectam com suas histórias individuais é importante para que suas próprias identidades se esclareçam.

Além delas, os caminhos paralelos levam a abandonos definitivos, temporários e involuntários; traições e términos traumáticos. Porém, são afastamentos que se desdobram em outros encontros, que precisavam acontecer e marcam o filme pela beleza de sua natureza. Amores Modernos fala de escolhas, mas fala também de acaso, fala do amor incondicional e do amor construído, do amor por opção e do amor fortuito e daquilo que é casual e nada tem a ver com isso.

Apoie o Cenas

Para falar dessa teia intrincada de tantos amores, ex-amores e novos amores, de personagens que tem suas próprias histórias e provocam outras tantas, o filme busca uma produção cuidadosa. Nela se destaca a direção de fotografia precisa do brasileiro Mauro Pinheiro Jr., conhecido por seu trabalho em filmes como Sudoeste, Os Famosos e os Duendes da Morte, Linha de Passe e que consegue diferenciar cada tipo de sentimento e as diversas relações que se descortinam em cena. A direção de arte de Nohemi Gonzalez (La jaula de oro), também empenhada nessa distinção, merece uma atenção especial.

Amores Modernos
Foto: Divulgação

É como se tudo estivesse no lugar certo, pronto para funcionar bem e mesmo aquelas coisas que escapam, talvez por algum excesso na atuação, facilidade de conexão ou por um prolongamento desnecessário na cena, fosse suprimido pela delicadeza da cena seguinte. O modo como os eventos se dão, o cuidado que Meyer tem com o conjunto e como os atores se entregam realmente conquistam quem se interessa pela história dos herdeiros da caliente Armida.

E muito mais do que por sua habilidade técnica, por sua costura, Amores Modernos fica pela temática, por falar de algo que está aqui e fala a todos, não por ser romântico, mas por ser cuidadoso, companheiro, afetuoso, próximo, querido e presente.

Um grande momento
Na banheira  

Curte as críticas do Cenas? Apoie o site!

Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
Botão Voltar ao topo