Crítica | Festival

A Teoria dos Vidros Quebrados

Preso pelo fogo

(La teoria de los vidrios rotos, URU, BRA, ARG, 2021)
Nota  
  • Gênero: Comédia
  • Direção: Diego Fernández Pujol
  • Roteiro: Diego Fernández Pujol, Rodolfo Santullo
  • Elenco: Martín Slipak, Roberto Birindelli, César Troncoso, Carlos Frasca, Jenny Galvan, Verónica Perrotta, Jorge Temponi, Guillermo Arengo, Josefina Trías, Robert Moré, Lourdes Kauffmann
  • Duração: 72 minutos

No início dos anos 1980, dois cientistas políticos e criminologistas desenvolveram uma teoria que buscava encontrar meios para conter ou minimizar os atos de vandalismo. Ela foi descrita em seu artigo “Janela Quebradas”, que deu origem a diversos outros experimentos e escritos, entre eles, o famoso livro de sociologia urbana “Fixing Broken Windows: Restoring Order and Reducing Crime in Our Communities”, de Catherine Coles e George L. Kelling. A ideia é basicamente que quando os vidros de um prédio demoram para ser consertados, outros são destruídos. A coprodução do Uruguai, Brasil e Argentina A Teoria dos Vidros Quebrados (no original, como foi apresentado no Festival de Gramado, La teoría de los vidrios rotos), parte de uma adaptação dessa teoria, em um suposto experimento onde, fazendo uma distinção classista, estabelece que os vidros quebrados são determinantes para o vandalismo de automóveis em bairros abonados da cidade.

Se isso incomoda, o resto do filme tem um charme que compensa. Nele, acompanhamos Claudio, um inspetor de seguros que acabou de ser promovido e vai ser responsável por um distrito fronteiriço que parece ser bem tranquilo. Na verdade, o local não é nada daquilo que parece e, para seu desassossego, passa por uma onda de carros incendiados que não consegue ser investigada nem pela polícia e nem por ele. O protagonista se vê então entrando em um labirinto sem nenhuma perspectiva de saída, com o que deixou em Montevidéu se esvaindo e com o que encontrou nunca se concretizando.

A Teoria dos Vidros Quebrados
Foto: Divulgação

A marca do cinema uruguaio está presente com o humor característico, ácido e sutil, que costuma brincar com os ambientes e com personagens que parecem sempre estar deslocados. Quando Claudio chega à antiga cidadezinha fronteiriça, depois do olho gordo do colega que se sente traído, sem encontrar quem deveria na agência de seguros, isso fica bem claro. O diretor Diego Fernández é habilidoso na construção desse universo policial cômico recheado de figuras estranhas, embora o roteiro apressado, escrito por ele e Rodolfo Santullo tente detalhar assuntos demais.

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Não que as tramas paralelas, como a história do delegado e do candidato platinado não sejam divertidas, ou personagens como o colega enciumado e o investigador da firma concorrente não sejam interessantes, mas sobra muita coisa naquilo que se tenta dizer, principalmente quando tenta ser mais profundo e não consegue. Porém, A Teoria dos Vidros Quebrados tem algo que o ajuda muito nos momentos mais fracos, seu elenco composto por Martin Slipak, Robert Moré, Jorge Temponi, Roberto Brindelli e César Troncoso, cada um com suas particularidades.

A Teoria dos Vidros Quebrado
Fotos: Divulgação

Bem fotografado por Lucio Bonelli (Histórias Que Só Existem Quando Lembradas), uma trilha musical divertida e com a ótima direção de arte, bem característica das comédias de lá, de Gonzalo Delgado Galiana (Clever) e Mariana Pereira (La demora), vale a pena seguir os passos do perdido Claudio em sua investigação e sempre ver tudo acontecer em suas costas. A Teoria dos Vidros Quebrados se afasta da temática principal para levá-la a um outro lugar de correlação e talvez não funcione para todos, porém é um filme que agrada no geral. Tem lá suas questões, mas diverte bastante aqueles que compram a brincadeira.

Um grande momento
O show da banda

[49º Festival de Cinema de Gramado]

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Cecilia Barroso

Cecilia Barroso é jornalista cultural e crítica de cinema. Mãe do Digo e da Dani, essa tricolor das Laranjeiras convive desde muito cedo com a sétima arte, e tem influências, familiares ou não, dos mais diversos gêneros e escolas. Faz parte da Abraccine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema e das Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema.
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